Heroínas desconhecidas

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Normalmente o estilo de crónica que hoje vou apresentar baseia-se no meu irmão escuteiro António Alves Fernandes, que lhes posso dizer, contínua numa recuperação espantosa, muito, em parte, graças a uma heroína desconhecida, concretamente a sua esposa. É precisamente neste contexto, de tanta mulher que sofre o quotidiano da vida, nunca procurando a recompensa, que dedico a crónica de hoje, reconhecendo o mérito e a excelência da minha Prima Bárbara Alçada Ribeiro, pessoa muito querida por grande parte das gentes da Covilhã.

Heroínas desconhecidas... - António José Alçada - Capeia Arraiana

Heroínas desconhecidas…

Neste dia 30 de junho, o meu sentimento varre o contraditório. Por um lado festejo o aniversário da minha Prima Ana Isabel mas por outro sinto a legítima preocupação com a minha Prima Bárbara. Neste vai e vem, faço uma «peregrinação interior» e recordo como duas mulheres são verdadeiras Senhoras. Ambas mostram uma efetiva capacidade de vencer a contrariedade, sem mostrar desespero ou intolerância.

Sendo a crónica hoje dedicada à Bárbara, não posso deixar de explicar, que a Ana Isabel, me venceu, ainda em tenra idade, uma disputada partida de xadrez, mostrando-me, ainda em garoto, que a mulher não é o sexo fraco. E essa partida, marcou-me para o resto da vida, fazendo-me entender quanto inteligente é a mulher, como o homem.

Embora nunca tenha jogado xadrez com a Barbara, tenho convivido regularmente com esta familiar, reconhecendo que me tenho «aproveitado» de tantos conhecimentos que tem, mas acima de tudo, saliento que estas amigas e amigos, lhe têm estima e consideração. A Barbara não é uma pessoa qualquer. Tem um pensamento coerente, sabe entender os problemas sociais e, principalmente, não tem receio de dizer o que pensa, usando o «tato» feminino que tanta falta faz, em muitos debates e tertúlias por esse mundo fora.

Tendo já tido problemas, como todos nós, a Barbara tem conseguido superá-los, sendo uma profissional reconhecida (recentemente a empresa onde trabalha foi premiada) como uma mãe invulgar, que, como quase todas as Senhoras, tem o filho no topo das suas preocupações.

Seria tão bom dizer que hoje, dia 30, enquanto a Ana Isabel festeja o seu aniversário, a Barbara também pudesse celebrar mais uma alegria na sua vida. Porém, quando menos esperamos, surgem-nos desafios pela frente com os quais não contamos. Ainda nem totalmente refeita de problemas que teve, recebe a notícia de uma doença grave, que nos põe todos e todas, a pensar.

O meu apreço pela Bárbara - António José Alçada - Capeia Arraiana

O meu apreço pela Bárbara

Felizmente carinho e apoio não lhe faltam. Ondas de solidariedade surgem um pouco por todo o lado, e procuram dar-lhe o incentivo necessário para superar mais esta dificuldade que, neste quadro assombroso, não é impossível de ultrapassar, pese embora a complexidade e incerteza que todos receamos.

Recorrendo ao estilo do meu irmão António Alves Fernandes, destaco a Bárbara como um exemplo de vida, cujos defeitos (que seguramente os terá) não se notam no seu vasto relacionamento com estas gentes covilhanenses. Tal como os desafios que a Ana Isabel me lançava em garoto, a Bárbara põe-me a pensar e a refletir, nestes temas do quotidiano, mantendo os princípios que recebeu dos seus/nossos antepassados de que a ambição, deve ter sempre a ética por base, e o equilíbrio, indispensável à harmonia, só se consegue reconhecendo os limites da argumentação. Mesmo sendo de outra geração, fico contente de que, na geração seguinte, haja quem defenda que os objetivos não se conseguem a qualquer preço.

Estas mulheres, hoje Senhoras, não deixam de ser umas heroínas desconhecidas. É verdade que por esse mundo fora muitas haverá, mas neste espaço que disponho, seria impossível nomeá-las a todas.

Mas porque não, quem se revê neste texto, sentir-se também homenageada?

Para essas os meus sinceros parabéns!

Covilhã, 30 de Junho de 2018

:: ::
«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

3 Responses to Heroínas desconhecidas

  1. Sandra diz:

    Palavras? Para quê? Está tudo dito! Lindo!!!! Babinha mereces tudo isto e muito mais! ❤

  2. Antonio Alves Fernandes diz:

    Caro Irmão Escuteiro…o teu texto enche-me a Alma. Obrigado.

Deixar uma resposta