Desporto e religião

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Na Ilha da Madeira, no Bairro de Santo António (Largo da Achada – Camacha), pela mão dos ingleses, realizou-se em 1875, em território português, o primeiro jogo de futebol.

Ronaldo – O Celestial

O inglês Harry Carvelery Hilton, filho de um grande produtor de bananas, aos 18 anos trouxe para a Madeira uma bola de “football”, futebol que já se praticava em Inglaterra há vinte anos. A rapaziada madeirense começou em escolas e colégios a dar pontapés numa bola, nem que fosse de trapos. Actualmente, nestes espaços todos dão pontapés, mas em outros objectos…
A sete quilómetros nasceu um dos maiores astros do Futebol Mundial, Cristiano Ronaldo, o quarto filho de Maria Dolores, “A Mãe Coragem”, que dada a pobreza ainda pediu a umas curiosas para que este não nascesse, mas o destino estava traçado. No dia em que nasceu, o médico assistente colocou-o no regaço com esta profecia: “o menino tem pés de atleta, de futebolista.” Acabara de nascer o maior jogador mundial da actualidade.
Aos 12 anos já estava em Lisboa, no Sporting Clube de Portugal. A sua estreia foi num jogo de infantis contra a Equipa do Sindicato de Setúbal, no Campo das Curvas, na cidade de Bocage. Só jogou vinte e cinco minutos e marcou quatro golos. O Sporting ganhou por 17-0. Se Ronaldo tivesse jogado todo o tempo, o resultado final seria ainda mais escandaloso.
Começou o Campeonato do Mundo na Rússia, e a seguir ao primeiro jogo contra a Espanha, todos os jornais do mundo falam de Ronaldo, “O Maior, O Celestial, O Monstro, O Bestial”.
Nestes dias todos os sectores da sociedade portuguesa e mundial estão com os olhos atentos no Mundial de Futebol.
No espaço que ocupo, as palavras são viradas para os jogos: “temos de ver a nossa selecção, é quase a nossa religião, temos de jantar mais cedo, temos de tomar a medicamentação mais tarde, temos…temos…” e todos vibramos, apertamos as mãos, damos abraços, mesmo aqueles mais vulneráveis, mais doentes. Nota-se mais ânimo, mais força, para vencer as adversidades destas doenças malditas.
A Irmã Hospitaleira, Enfermeira, com sangue arraiano, diz-nos: “não posso deixar de ver Portugal a jogar e a ganhar. Era tão bom que tivéssemos ganho aos espanhóis. Já repararam no corpo do Cristiano Ronaldo, todo ele versátil? Lembra-me os movimentos físicos dos ginetes, gatos bravos, sempre de cabeça levantada, pernas móveis em todas as direcções e nunca caem com a cabeça no chão. O Ronaldo tem outro factor importante: é o grande afecto da Mãe, um apoio imprescindível para o equilíbrio afectivo, físico, mental e psicológico”. Esta Irmã, além de medicina, também sabe de futebol, não é treinadora de bancada.
Também o Papa Francisco, um espectador atento do futebol, sócio de um Clube de Buenos Aires, não se esqueceu deste acontecimento mundial e escreveu uma mensagem com o título “DAR O MELHOR DE SI”.
O Papa, ao longo de cinco capítulos, aborda a evolução do desporto, relacionando-o com a dignidade humana e a religião. Lembra que “a experiência do desporto implica justiça, sacrifício, alegria, harmonia, coragem, igualdade, respeito e solidariedade nesta busca de sentido.” Leiam o texto na íntegra e meditem. Dá pano para muitas mangas.
Aqui todos desejamos que Portugal ganhe o Campeonato Mundial.
Uma Irmã Hospitaleira diz-me a sorrir: “Quarta-feira vamos vingar-nos de Alcácer-Quibir”.
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

One Response to Desporto e religião

  1. António José Alcada diz:

    Abraço António

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