Os bens das igrejas da Rebolosa

:: :: REBOLOSA :: :: O arrolamento dos bens da igreja e capelas da freguesia da Rebolosa, no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 16 de Abril de 1912. Transcrevemos os respectivos autos de arrolamento existentes no processo.

Igreja Matriz da Rebolosa - Censos 1758 - Capeia Arraiana

Igreja Matriz da Rebolosa – Capeia Arraiana

Aos dezasseis dias do mês de abril de mil novecentos e doze, nesta freguesia da Rebolosa e no edifício da igreja paroquial denominada Santa Catarina, onde compareceram os cidadãos Alfredo José de Carvalho, representante do Administrador deste Concelho, e bem assim o cidadão Joaquim Afonso, actual presidente da comissão paroquia desta freguesia e não o cidadão nomeado pela Câmara Municipal, por se achar ausente em país estrangeiro, comigo Filipe José Serra, delegado do Secretário de Finanças e da Comissão Concelhia de Inventário, para os fins consignados no artigo 62º da Lei da Separação das Igrejas do Estado, e assim principiamos o arrolamento e inventário da forma seguinte:

Bens imóveis
Uma igreja denominada de Santa Catarina, que serve de paroquial, no meio do povo, composta de sacristia, torre com dois sinos, altar mor e dois laterais.
Uma capela, denominada de São Sebastião, no sítio do caminho da Quarta, com a respectiva imagem.

Bens móveis
Imagens, alfaias e paramentos.
Imagens de:
Santa Catarina – orago da igreja.
Coração de Maria.
Santos Mártires.
Senhora do Rosário.
Santo Cristo.

Um pálio de damasco, usado.
Uma umbela de damasco, usada.
Uma capa de asperges, usada.
Um véu de ombros, usado.
Três casulas de diversas cores, usadas.
Três alvas e respectivos amitos.
Três mesas de corporais com respectivas bolsas.
Seis opas encarnadas, usadas.
Um cálice de metal branco.
Uma custódia de metal branco.
Um vaso sacramental de metal branco.
Um turíbulo de naveta de metal amarelo.
Uma caldeirinha para água benta.
Um par de galhetas de estanho.
Uma campainha.
Uma banqueta de madeira dourada.
Uma cruz processional.
Quatro andores de madeira, velhos.
Quatro insígnias de lata, velhas.
Não há bens do passal.
E não havendo outros bens a inventariar se conclui este auto, ficando tudo entregue ao aludido presidente que vai assinar com os representantes do Administrador do Concelho e do Secretário de Finanças e do cidadão indicado pela câmara municipal, mencionados no princípio deste auto.

Existe ainda no processo um arrolamento adicional, datado de 13 de Julho de 1931:
Aos treze dias do mês de Julho de mil novecentos e trinta e um, nesta Igreja paroquial da freguesia da Rebolosa, deste concelho do Sabugal, compareceram os cidadãos Afonso Lucas, administrador do concelho, Aurélio Basílio, presidente da comissão paroquial administrativa, José Maria Gonçalves Baltazar, amanuense e representante Câmara Municipal, comigo, José da Costa Ilharco, secretário da repartição de Finanças, indivíduos estes que constituem a Comissão Concelhia de Inventário, nos termos do artigo 63 da Lei de 20 de Abril de 1911, tendo aqui reunido para os fins consignados no artigo 62 da referida Lei, a fim de se proceder ao arrolamento e inventário adicional dos imóveis abaixo mencionados de harmonia com a ofício nº.5698 da 2ª Repartição, Livro 9, fls 139, da Direcção Geral do Ministério da Justiça e dos Cultos, a saber:
O adro da igreja paroquial da freguesia da Rebolosa, que confronta de todos os pontos com rua pública.

Há ainda um ofício da Direcção Geral da Justiça, dirigido ao chefe da Secção de Finanças do Sabugal, datado de 11 de Março de 1941:
Rogo a V.Exª que, nos termos do artigo 43º, parágrafo 1º, do Decreto-lei nº.30.615, de 25 de Julho de 1940, proceda à entrega dos bens abaixo indicados, às entidades respectivas mencionadas, lavrando para cada entidade auto em triplicado, ficando um dos exemplares de cada auto no arquivo do município, junto aos respectivos arrolamentos, entregando outro à associação ou organização respectiva, e remetendo o terceiro a esta Direcção Geral de Justiça, no prazo máximo de 15 dias, para ser enviado, depois à Direcção geral da Fazenda Pública, para o arquivar.
No próprio auto ou em documento à parte, serão devidamente inventariados também os bens compreendidos na entrega, como se dispõe no parágrafo 2º do citado artigo.
Os bens a entregar são os seguintes:
Para a Fábrica da Igreja Paroquial da freguesia da Rebolosa, desse concelho:
A Igreja Paroquial, com todas as suas dependências, denominada de Santa Catarina, e uma capela, a de São Sebastião, no sítio do Caminho da Quarta, com o respectivo adro.
Os respectivos móveis, paramentos, alfaias, e mais objectos do culto existentes na referida e igreja e capela.
Lisboa, 11 de Março de 1941
A bem da Nação
O Director Geral

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

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«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

One Response to Os bens das igrejas da Rebolosa

  1. José Joaquim Moreira diz:

    Não tenho nada contra este Documento. Só poço dizer que as Instituições de cada Aldeia deveriam colaborar para o bém das Aleias e suas gentes…

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