O São João no Sabugal!

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

E estamos em pleno São João no Sabugal! Sai esta crónica na semana das festas de São João no Sabugal, o que me leva a recordar como me lembro hoje desta festa na minha infância.

«Pinho» do São João no Sabugal - Capeia Arraiana

«Pinho» do São João no Sabugal

O São João realizava-se então no Largo da Fonte, ainda antes da sua atual configuração.

Mas a festa começava verdadeiramente meses antes com os peditórios que os mordomos faziam por toda a Vila.

Algum tempo antes da data, lá aparecia o pinho, arrastado por carros de bois ou camionetas, até ao local onde seria erguido.

Ainda no chão era preparado para ser «vestido» e como cheiravam bem os montes de rosmaninho!

Já não me lembro de quem o «vestia», mas era uma admiração ver os homens atados ao pinho por cordas e ver o pinho transformar-se, pouco a pouco, no «carvalho», no topo do qual era colocada uma boneca de papel cheia de bombas de foguetes.

O Largo era então preparado, levando o coreto de madeira, a «quermesse», a barraca de comes e bebes e o «dancing».

E tudo ficava pronto para as festas abrilhantadas por uma ou mais orquestras de baile.

Os bailes faziam-se à volta do coreto (à borla e ao pó) ou no «dancing» cimentado, sendo a entrada para o mesmo paga.

Quando era hora o baile parava e os pregoeiros (muitas vezes o meu pai ou o Ti Alberto Espanha) faziam convergir a atenção para a quermesse onde eram pregoadas as ofertas que os sabugalenses haviam dado.

Fim de noite era, quase sempre, com fogo preso de artifício.

Na última noite anunciavam-se os novos mordomos e deitava-se fogo ao carvalho, à volta do qual todos dançavam.

E como lembro as mulheres que ocupavam o coreto e levavam todos a cantar a marcha do Sabugal, levantando bem alto o orgulho em ser sabugalense.

ps. A dificuldade em encontrar mordomos tem conduzido, e ainda bem, a que sejam os Bombeiros, com o apoio do Município, a manter esta tradição. É outra forma de estar ao serviço da comunidade…

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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