O Lobo Branco

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

A frágil luz da madrugada encontrou-te caminhando por entre a invernada que toda a noite fustigou a Montanha Sagrada, vais só, indiferente a outras vidas e outras gentes, sentes que a solidão te pertence neste agonizar da noite.

Lobo Branco - António Emídio - Capeia Arraiana

Lobo Branco

O clamor do vento trouxe até ti um chocalhar distante, triste e lento, vem do curral, é o acordar do rebanho, o sonolento fumo da chaminé da quinta tenta elevar-se, mas o vento atira com ele contra a névoa fria, uma nova lufada de vento entra através das frinchas da porta, a chama da candeia agitou-se e encostou-se à fuligem da parede. A pastorinha sentada no mocho comia o seu caldo, dos seus olhos saíam grossas lágrimas: minha alma está aflita!

Era noite escura, noite negra e sinistra, senti os tiros no meu coração, só a Estrela D`Alva viu como a mataram… Boby, Leão, ide através do vento errante, procurai-o e ouvireis então um uivar de dor e de Saudade. Procuraram-no, estava junto a um rio de sangue, sangue da sua companheira, morta numa orgia assassina.

Ouviu-se então uma melodia maravilhosa que bailava com o vento, era Pã que tocava a sua flauta, a pastorinha ao Céu enviou uma humilde prece…

Simples ficção querido(a) leitor(a), onde juntei a Montanha Sagrada, o Lobo Branco, Pã, a Pastorinha, dois velhos cães meus que já só são recordação, e como não podia deixar de ser, os «amantes» da Natureza e de tudo o que nela vive e morre…

:: ::
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

Deixar uma resposta