O meu dia onomástico

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Não me recordo, na minha aldeia, de existirem tradições na festividade de Santo António. Nas aldeias vizinhas, aí sim, havia capelas, imagens, festejos, procissões em honra daquele santo alfacinha, ficando a conhecer bem a sua história em tempos posteriores.

Santo António

O destino levou-me a ter contacto com territórios onde a presença, devoção e celebração do Santo António era assídua entre as gentes populares.
Com a família assentei arraias numa casa que pertencia ao Santo, junto à Capela de Santo António em Setúbal. Uma Capela, com grande património religioso (ainda lá estará?), com a porta virada para nascente. Há quem argumente que naquele local, no interior da cidade setubalense, existiu uma sinagoga. É bom referir que todas as portas das igrejas estão voltadas para poente, com excepção da Bismula (Sabugal), pois destruiu-se a antiga porta e colocaram a nova para nascente.
Aquela Capela lá está, junto à estação rodoviária, ex-garagem da Setubalense, dos “Belos”, que com o poder democrático se passaram a chamar TST (Transportadoras a Sul do Tejo).
Ali funcionou durante muitos anos a capela funerária, mas no mês de Junho fechava portas e só abria para se fazerem novenas ao santo casamenteiro.
Nós, jovens, assistíamos às orações, rezas ao Santo no seu altar, sem escapar às olhadelas das meninas, que também rezavam para que o santo lhes colocasse no colo um namorado.
É importante contar um pouco a História de Santo António e algumas das tradições à sua volta.
Nasceu em Lisboa, na Rua das Pedras Negras, onde se situa a Igreja e Museu com o seu nome. Naquela Igreja, existe um relicário com um dos seus ossos. Será que à nascença o Santo já estaria a pensar no célebre Vinho Pedras Negras, tão propagado no século passado, de uma das melhores regiões vinícolas (Palmela)?
Frei António fez votos de pobreza, foi pai dos pobres, pregador, culto, asceta, deixou inúmeros Sermões, inspirando o nosso Padre António Vieira, no Sermão aos Peixes.
Faleceu em Pádua (Itália), a 13 de junho de 1231, com fama de santo. O Papa Gregório IX, em menos de um ano, fê-lo entrar no mapa litúrgico dos santos, a 30 de maio de 1232. Na Basílica com o seu nome, em Pádua, tem também um relicário com a sua língua de sapiência e pregação.
O Dia 13 de Junho é feriado municipal em quinze concelhos, com destaque para o Município de Lisboa. À figura de Santo António estão associados vários acontecimentos. É o caso das Grandes Marchas de Lisboa, iniciadas em 1932, na Avenida da Liberdade, organizadas pelos Bairros Populares com os arraias pela noite dentro, em louvor de Santo António.
Nos Bairros Populares da capital, e em quase todo o território nacional, não falta a sardinha assada, canecos de vinho, de Palmela à Cova da Beira…
Nesta quadra vendem-se vasinhos com manjericos e quadras alusivas a Santo António.
Santo Casamenteiro, reza a tradição que uma pobre rapariga, sem dote, queria casar e pediu ao Santo um noivo. Santo António condoeu-se com a sua pobreza e entregou-lhe a bolsa das esmolas, com um bilhetinho: “este é o dote que te fará noiva.” Não demorou muito até a menina triste e pobre estar feliz e casada.
Também o Santo me fez um milagre: por duas vezes encontrei as chaves que perdera.
Acordei com o pensamento em Santo António, mas se me tivesse esquecido os foguetes em Condeixa despertariam a minha memória.
Na visita, a minha Esposa entregou-me uma carta com um postal: “com sinceros votos de muitas felicidades… existem momentos que duram segundos, mas deixam lembranças para toda a vida.” Linda Prenda no meu dia onomástico de Santo António.
VIVA SANTO ANTÓNIO!
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

One Response to O meu dia onomástico

  1. António José Alcada diz:

    Até o nosso grupo foi batizado pelo Grupo dos Antónios! Tal é a importância deste nome! Abraço irmão escuteiro

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