Gorgulho, Carrajola e Formigão

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Três personagens da História de Portugal do século XX, não muito conhecidas mas foram protagonistas de episódios bem tristes, principalmente o Gorgulho e o Carrajola. O Formigão levou o nome de Portugal através do Mundo…

Mapa de Portugal... que não era um país pequeno - Capeia Arraiana

Mapa de Portugal… que não era um país pequeno

– Tenente Coronel Carlos Gorgulho – Nos anos 50 do século passado quando o arquipélago de São Tomé e Príncipe estava debaixo do regime colonial português, tinha grande escassez de mão-de-obra para trabalhar nas Roças de Cacau, esse trabalho forçado, trabalho escravo era feito pelos «contratados» angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos, era conhecido pelo «cacau escravo». Os São Tomenses consideravam esses trabalhadores socialmente inferiores, porque a eles não se aplicava o Estatuto dos Indígenas, o que provavelmente significaria que não podiam ser obrigados a trabalho escravo.Acontece que a valorização dos produtos das colónias nos mercados, principalmente o cacau e o café de São Tomé e Príncipe, e também uma politica levada a cabo pelo Governo de Lisboa, que era uma politica de Fomento e de Obras Públicas, obrigaram o Governador do Arquipélago, Tenente Coronel Carlos Gorgulho a procurar nativos São Tomenses para esses trabalhos, principalmente de Obras Públicas, com o mesmo regime dos «contratados» trabalho forçado, não remunerado, ou se o fosse, uma simples esmola, trabalho escravo… Carlos Gorgulho mandava efectuar rusgas nos povoados para conseguir mão-de-obra. Os São Tomenses revoltaram-se, e no dia 3 de Fevereiro de 1953, o Tenente Coronel Carlos Gorgulho manda armar os «contratados», explorando o ódio destes aos São Tomenses, juntamente com a polícia indígena e proprietários brancos de terras – os senhores das Roças – atacam a população de Trindade, morrem centenas de São Tomenses, mas os massacres continuaram nos dias seguintes, foram feitas prisões e torturados muitos indígenas pela polícia. Um simples episódio dos muitos que se passaram – Chegaram a meter 50 homens numa cela minúscula, estes toda a noite gritaram pedindo socorro, na manhã seguinte, trinta estavam mortos! Quanta gente morreu? Ao certo não se sabe porque muitos foram enterrados em valas comuns, e outros atirados ao mar. Esta carnificina ficou conhecida pelo Massacre de Batepá. Salazar mandou chamar Carlos Gorgulho a Lisboa e demite-o de Governador.

– Tenente Carrajola – O Carrajola foi um tenente da G.N.R, mas antes disso. Em Baleizão – Alentejo – ao aproximar-se a época das ceifas, um grupo de trabalhadores rurais exigiu aumento de salário ameaçando com a paralisação do trabalho, o proprietário do Monte chamou trabalhadores de outras terras, começando a haver problemas entre os dois grupos, foi chamada a G.N.R. Uma mulher de Baleizão, com um filho ao colo, dirige-se ao Carrajola, este pergunta-lhe o que queria, ela responde-lhe – «Trabalho e Pão!» – o tenente agride-a fazendo cair a criança ao chão, ela vira-se para a apanhar, então o Carrajola mata-a com três tiros nas costas, essa mulher era Catarina Eufémia.

– Cónego Formigão – Este senhor foi Cónego e professor de Liceu em Santarém, encarregue pelos seus superiores de pôr no papel a «verdade», a única! Sobre as aparições de Fátima. Interrogou os videntes, interrogou tudo e todos, e no fim surgiu com a história das aparições, era um feroz propagandista contra a República, e tudo o que sabemos sobre Fátima, a ele o devemos. O Vaticano quer agraciá-lo, com o quê não sei.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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