Resgatar a infância

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

No dia 1 de junho – Dia Mundial da Criança – haverá, por muitos lados, festas e comemorações. Mas, há milhões de crianças, longe de qualquer celebração, vivendo situações desumanas, em campos de refugiados ou em países devastados, com a economia e as instituições em rutura.

1 de Junho - Dia Mundial da Criança - Capeia Arraiana

1 de Junho – Dia Mundial da Criança

Mas, porquê falar de crianças lá longe, quando, ao fundo da nossa rua, no nosso país, há crianças abandonadas, violentadas…, que não crescem com os cuidados devidos? Porque não se trata de realidades comparáveis, nem ao nível dos problemas nem ao nível das respostas; por cá, há leis, instituições, comissões de proteção e outras organizações atentas ao que se passa com os mais novos. Por isso, vou falar de alguns dos casos mais dramáticos ocorridos, no último ano, lá longe.

Lembro as crianças de Mossul, Iraque, mais de 100.000; passaram anos debaixo das leis do estado islâmico, aguentaram o cerco de meses e a batalha final que os libertou dos radicais; sofreram todo o tipo de violência, incluindo assistir à morte dos pais ou de outros familiares. Muitos, continuam a deambular, por campos de refugiados, incapazes de qualquer emoção, tal é o trauma.
Lembro as crianças da minoria muçulmana rohingya, refugiadas no Bangladesh, cerca de 390.000; vítimas de limpeza étnica, no seu país, Myanmar, que não lhes reconhece a cidadania, tiveram de fugir com as suas famílias. Devido às precárias condições do seu acolhimento, continuam a ser atingidas por doenças várias; uma catástrofe humanitária de grandes proporções pode acontecer.
Lembro as crianças do Sudão do Sul marcadas pela guerra e pela subnutrição crónica; neste momento, 1,4 milhões estão em risco de vida; lembro, particularmente, os meninos-soldado, mais de 19.000, que só agora começam a ser desarmados e reintegrados nas famílias, apresentando necessidades de todo o tipo.

Para estas e para todas as crianças, a quem a guerra, a fome, a exploração, a intolerância étnica, política e religiosa…, hipotecaram o futuro, temos de exigir, das organizações internacionais e nacionais, a garantia das necessidades básicas: educação, saúde, água e saneamento, proteção e segurança infantil. É o mínimo dos mínimos.

Nota: A fonte dos dados referidos é o site da UNICEF em Portugal.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

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