28 de Maio de 1926

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Como o(a) leitor(a) já se apercebeu, esta foi a data do derrube da 1.ª República através de um Golpe de Estado militar. Esse Golpe de Estado tinha dentro dele várias tendências, uma era de feição liberal e democrática, a outra, a vencedora queria um regime ditatorial, antiliberal, antidemocrático e fascista – foi desta que surgiu Salazar. No campo oposto a estas duas tendências estavam antigos governantes do Partido Republicano Português – Partido Democrático- membros da Esquerda Republicana, o Movimento Operário e Sindical, Comunistas, Socialistas e Anarco-sindicalistas.

Oliveira Salazar com o General Carmona - Capeia Arraiana

Oliveira Salazar com o General Óscar Carmona

Sempre nos fizeram crer que Salazar tinha surgido subitamente da Ditadura Militar e nacional do 28 de Maio de 1926, «esquecendo» que, de 1926 até 1932 houve tremendas lutas no Regime Militar e também tentativas de derrube da Ditadura levadas a cabo pelos «revirallhistas» e revolucionários, em 1927,1928,1930 e principalmente em 1931 quando já se previa que a Ditadura Salazarista seria a vencedora de todo o processo político nascido da Revolução, dado que muitas personalidades o apoiavam, apoiava-o também a hierarquia religiosa católica e principalmente Óscar Carmona, Presidente da República.

No Golpe militar de 1926 tiveram preponderância o General Gomes da Costa, o General Óscar Carmona, e os oficiais da Marinha Mendes Cabeçadas e Gama Ochoa. Gomes da Costa revolta-se em Braga e desce até Lisboa (depois de uma série de peripécias) Óscar Carmona era o comandante da Divisão do Sul, Mendes Cabeçadas é o líder do Golpe em Lisboa, ainda esteve preso às ordens do Governo Republicano, mas o então Presidente da República Bernardino Machado liberta-o na noite de 29 de Maio quando soube que o Pronunciamento estava em marcha, entregando-lhe a liderança do Governo em troca do respeito pela Legalidade Constitucional, ou seja, que não fosse posto em causa o Regime Constitucional Republicano. Mas de pouco valeu este gesto de Bernardino Machado, já que Mendes Cabeçadas seria afastado a 17 de Junho de 1926 por não ter aceite um programa de governo que era uma radicalização à direita, a 22 de Junho foi estabelecida a censura à imprensa, que durou até 25 de Abril de 1974!

Novos actores surgem, principalmente oficiais de ideologia fascista, oficias Sidonistas, e integralistas, ( Integralismo Lusitano ) entre eles Sinel de Cordes que juntamente com Raúl Esteves, também o oficial do exército, os comandantes da G.N.R., e o Comandante da região Militar de Lisboa, vão a Belém e obrigam Gomes da Costa a abandonar a chefia do Ministério, podendo ficar como Chefe de Estado, Gomes da Costa Recusa, e no dia 9 de Julho decide-se a sua demissão através de Decreto. Foi deportado para os Açores a 11 de Julho de 1926. Quem ficou a ganhar? Óscar Carmona que nesse dia, 9 de Julho é empossado como novo Chefe de Governo e assume de forma interina a Presidência da república, ou seja, o novo chefe da Ditadura Militar, enquanto Sinel de Cordes toma conta da pasta das Finanças, pede um empréstimo ao estrangeiro no valor de 12 milhões de libras, mas depois vieram as condições draconianas do empréstimo! Salazar fez parte de uma Comissão para estudar a questão do empréstimo, não aceitou. Sinel de Cordes viria a adoecer e foi substituído por Ivens Ferraz, que não aceita as condições do empréstimo e diz que Portugal não se vendia por 12 milhões de libras. Procura-se então um «Salvador da Pátria» e ele surge! A 5 de Julho de 1932, chamava-se António de Oliveira Salazar, que é nomeado Presidente do Concelho de Ministros e um ano depois faz aprovar uma nova Constituição, a do Estado Novo. Mas antes disso, entre 1928 e 1932 tinha sido Ministro das Finanças.

Querido(a) leitor(a) e agora um mimo… Dos «reviralhistas» a oposição a Óscar Carmona, escabrosas palavras? Presentemente em Portugal há muito pior…

«Lá está o General Carmona / Sentado numa poltrona no Palácio de Belém / Ai General ao C… se vem o Reviralho / Vais para a C… da Mãe.»

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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