As variedades da pera portuguesa

O velho «Almanach do Lavrador», editado no ano 1866 e organizado pelo lente João Inácio Ferreira Lapa, regista uma lista de nada menos que 46 diferentes variedades de pera, então cultivadas nos campos de Portugal.

A pera portuguesa tem imensas variedades

Começando por afirmar que a pereira é uma planta que se cultiva por toda a Europa e que se dá particularmente bem em Portugal, o referido anuário agrícola informa que poucos vegetais haverá que ofereçam tantas variedades, resultantes de diferentes formas, cores e sabores.
Apresenta depois as 46 variedades dos seus frutos, todos pertencentes à flora lusitana:
Pera bergamota.
Pera bojarda.
Pera carvalhal de Espinho.
Pera carvalhal galega.
Pera codornos.
Pera colmar.
Pera cornicabra.
Pera correia.
Pera coxa de freira.
Pera fidalga.
Pera flamenga.
Pera Gervásia.
Pera lambe-lhe os dedos.
Pera limão.
Pera má cara.
Pera manteiga.
Pera mimosa.
Pera marquesa.
Pera parda.
Pera Páscoa.
Pera pigarça.
Pera ribeirinha.
Pera romana.
Pera verdeal.
Pera virgulosa.
Pera de água.
Pera de bom cristão.
Pera de cheiro.
Pera do conde.
Pera de engonxo.
Pera de manto.
Pera de passa.
Pera de pé curto.
Pera de pé de perdiz.
Pera de refego.
Pera de rei.
Pera de Rio Frio.
Pera de rosa.
Pera de sete cotovelos.
Pera de três em prato.
Pera de Santa Ana.
Pera de Santo António.
Pera de São Bento.
Pera de São João.
Pera de São Marcos.
Pera de São Tiago.
Esta extensa lista, não é causa de admiração, já que os especialistas de hoje afirmam existirem no mundo mais de 4 mil tipos de peras, ainda que muito poucas sejam comercializadas.
O que causa perplexidade é que a lista não contenha a hoje muito propalada Pera Rocha, considerada a variedade mais importante cultivada por cá. O mesmo sucede com variedades muito conhecidas, como sejam a Carapinheira, a Pérola e a Amêndoa.
Será que no século XIX essas variedades ainda não estavam introduzidas em Portugal? Ou eram conhecidas por outras designações?
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Por Paulo Leitão Batista

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