Casteleiro – Largos e locais de interesse

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Há uns tempos, dei-me ao prazer de escrever sobre os largos e outros locais da minha aldeia. Todas as terras têm os seus espaços icónicos, que é como quem diz: os mais emblemáticos. O Casteleiro não é excepção, claro. Ora leia…

Casteleiro - Capeia Arraiana

Casteleiro

Quando falo de lugares icónicos, falo de largos, praças e locais de interesse, falo de realidades locais que nos ficaram gravadas para sempre, como adiante pode ler e abanar a cabeça a dizer que sim, como dei por mim a fazer agora mesmo…
Assim, vou referir algumas das recordações mais fundas da minha infância. Muitas delas ainda não mudaram. Outras, foram-se: leis da vida. São os largos da minha terra, os mitos da minha infância, os pontos de interesse da minha aldeia.

Os largos da minha terra

Muitos locais mais espaçosos, os largos, desempenharam na nossa infância o papel de creche e jardim-de-infância que não tivemos. São locais nossos e bem nossos, portanto. Cada um tem como seu o largo mais perto da casa onde nasceu. Por todos, cito logo o mais conhecido de quem passa:
– Largo de São Francisco. Dantes era o Terreiro e pronto. Havia lá o marco / um chafariz de uma só torneira amarela e com um esquema de abertura marcante na minha memória: para bebermos água carregávamos com força num «botão» branco (uma mola) que tinha em cima e a água saía cá com uma pressão…

Outros espaços que todos os de lá conhecem bem:
– Largo da Fonte (há lá mesmo uma fonte);
– Praça, com o seu «Chafariz da Praça», hoje à superfície mas que era lá no findo, com escadarias de oito a dez degraus, muito bem arrancado – acho que o antigo era mais bonito e mais típico, embora prejudicasse a circulação de camionetas grandes;
– o Baturel, perto do forno que ficava junto do Reduto;
– o Largo do Poço (designação antiga), mesmo em frente do Centro de Animação Cultural;
– o Reduto, onde, parece, dantes havia touradas, fechando-se as ruas todas com carros de bois e tal…;
– o Largo da «Estalais» (Estalagem, claro), que ficava na antiga via romana (em direcção à Estrada, Santo Amaro e Caria) – portanto, havia ali uma estalagem muito, mas muito antigamente, de certeza absoluta;
– o Largo do Chafariz, onde fica o chafariz das duas bicas.

Mitos de infância

E há os ícones da minha infância. Convém, nesta altura, explicar o que entendo por «ícones». São os seres que me marcaram, vivos ou não, mas todos com muita «vida» dentro de mim, com grande significado (não só para mim: para toda a aldeia).
Há «seres» destes que são quase poemas heróicos. Por exemplo: o barroco riscado, com as histórias e lendas de feiticeiras mouriscas a cozinhar naqueles buracos redondos e pouco fundos, lá no alto da Serra da Vila – outro ícone. A Serra d’Opa, naturalmente.
Ou a neve.
E de modo especial a Ribeira, sempre a correr mas sempre incerta: indo da enchente à seca quase em fio. Ou a oliveira, a azeitona e o azeite. Sobretudo o azeite. Mais sagrado não há.
Agora, um ser vivo: as cegonhas, no seu eterno vai-vém, hoje retomado aos poucos por obra de uns tantos outros seres vivos chamados homens…

Pontos de interesse no Casteleiro

Não é uma terra de grandes monumentos ou sítios com grande carga histórica, como se sabe. Mas isso não retira interesse a certos locais, sobretudo no nosso coração e no carinho de quem, estando fora, queria estar perto.
Eis alguns desses pontos de inegável interesse (mesmo os que já lá vão, como é o caso logo do primeiro, os fornos, e o das Escolas – mas que nem por isso deixam de merecer registo):
– Fornos de cozer o pão (havia dois),
– Igreja e torre,
– Capela de São Francisco,
– Capela de São Salvador, ao Reduto,
– Escola Velha (colada à capela de São Francisco),
– Escola Nova (perto do Lar, lá em cima).

Dantes, a caminho do Cemitério, havia ainda a Capela de São Sebastião.
Ah! E não esquecer: no Casteleiro há casas apalaçadas, digamos: uma no Largo de São Francisco (com direito a brasão e tudo), outra, menos vistosa mas bem definida, mesmo ao pé da igreja. E há várias casas com mais de 250 anos – uma delas junto do Centro, também.

Última nota: há no Casteleiro quatro entidades que devo destacar:
– Junta de Freguesia;
– Lar de São Salvador;
– Clube de Caça e Pesca;
– Centro de Animação Cultural.

Longa vida a cada uma dessas organizações, cada qual no seu patamar de intervenção.

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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