A Universidade de Salamanca e o Fundão

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

A Universidade de Salamanca faz neste mês de maio oitocentos anos de existência. Estava-se no século XIII, quando na Capital dos reinos de Castela e Leão se fundaram os Estudos Universitários. É a quarta universidade do espaço europeu. As mais antigas são Oxford em Inglaterra, Paris em França e Bolonha em Itália.

Universidade de Salamanca

Só mais tarde surgiu a Universidade de Coimbra, que adaptou o mesmo modelo de estudos e funcionamento da Histórica Universidade de Salamanca. Uma Universidade que teve como Reitor Miguel de Unamuno. Foi também neste espaço cultural que há cinco séculos Cristóvão Colombo teve que aceitar o projecto de navegação, a fim de percorrer o mundo e acabar por descobrir a América.
Ali se formaram grandes pensadores, grandes exploradores da ciência e das letras.
Naquelas salas universitárias foram elaboradas muitas reflexões sobre a Fé, sobre o Novo Mundo, graças aos professores e pensadores ibéricos. A Europa tomou consciência do seu lugar no Planisfério e que não estava só…
Os feitos marítimos e heróicos traduziram-se num período histórico em que a Península Ibérica dominava a Terra, contribuindo para o desenvolvimento da Humanidade.
Com Portugal sem universidade e Salamanca a dois passos da fronteira, várias centenas de estudantes portugueses ali seguiram o rumo universitário.
Há anos, nas Jornadas da Medicina da Beira Interior, fundadas por esse insigne médico – António Lourenço Marques Gonçalves, natural do Souto da Casa (Fundão) e o percursor dos cuidados paliativos no Hospital do Fundão -, ouvi o Professor Dr. Rasteiro (Coimbra) sobre a formação de inúmeros estudantes universitários, oriundos da faixa arraiana, e deu-me uma lista dos jovens de Aldeia de Joanes (Fundão). Fiquei impressionado.
No surgimento de algumas dúvidas, o Dr. Lourenço Marques teve a gentileza de me enviar o Caderno nº11 de Novembro de 1997, sob o título “A MEDICINA NA BEIRA INTERIOR DA PRÉ-HISTÓRIA AO SÉCULO XX”.
Ao consultá-lo, vejo que de 1580 a 1640 o maior número de jovens matriculados na Universidade de Salamanca pertencia ao Concelho do Fundão.
É importante referir que um terço dos estudantes eram portugueses. Actualmente estão a frequentar a Universidade de Salamanca duzentos e cinquenta jovens universitários.
Marcos Dios afirma: “Salamanca, nunca foi uma Universidade estrangeira para os Portugueses; desde a Fundação, encontramos um bom número de Portuguesas no Estudo Salmantino, principalmente por razões de proximidade geográfica.”
Na esperança de levantar o ego das gentes de Aldeia de Joanes, percorro o nome, modalidade de estudos e os anos de frequência de 1580 -1640.
António Vaz – Artes –1621; António Lopes – Cânones – 1583; Arménio Salgado – Artes- 1594-1597; António Seabra – Gramática – 1596; Arménio Taborda – Artes – Letras – Cânones – 1622 – 1625. Arménio Vaz – Gramática – 1616; Bartolomeu Antunes – Leis e Cânones – 1619-1624; Cristóvão Vasques – Cânones – 1589-1593; Cristóvão Vaz de Almeida – Leis e Cânones – 1620-1624; Diogo Lopes Saraiva -Artes e Teologia – 1592-1596; Diogo Peres – Desconhece-se os Estudos e anos de frequência; António D. Rego – Artes e Medicina – 1621-1628; Domingos de Aguiar – Leis – 1617; Domingos Antunes -Artes – Artes – 1620-1623; Domingos da Cunha – Cânones; Fernando Nunes – Artes – 1620-1622; Filipe Vaz – Leis e Cânones – 1621; Francisco Fernandes – Cânones – 1624-1628; Francisco Fernandes Sarafana – Artes- Leis e Cânones – 1592-1597; Francisco Jorge – Gramática – 1598-1599; Francisco Rodrigues Oliveira – Artes-Cânones e Teologia – 1592-1597; Francisco – Artes – 1617; Francisco Vaz – Leis – 1581-1584; Gaspar Antunes – Leis e Cânones – 1617-1622; Jerónimo Lopes – Gramática e Cânones 1623-1628; Lourenço Peres – Gramática e Cânones – 1584-1593; Luís Vaz da Canha – Leis -1581; Pedro Barreto (Presbítero) – Artes e Teologia – 1592-1594; Pedro Dias -Gramática – 1611; Pedro Nunes – Cânones – 1615, Pedro Gago da Costa – Cânones e Leis – 1635; Simão Dias – Leis e Cânones – 1620-1621.
Nesta longa lista, devemos ter um orgulho fantástico por tantos antepassados de Aldeia de Joanes terem estudado na Universidade de Salamanca.
Um agradecimento muito especial ao Dr. Lourenço Marques, pela colaboração prestada.
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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