Os bens das igrejas da Nave

:: :: NAVE :: :: O arrolamento dos bens das igrejas e capelas da freguesia da Nave, no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 5 de Agosto de 1911. Transcrevemos os respectivos autos de arrolamento existentes no processo.

Igreja Matriz da Nave - Sabugal - Capeia Arraiana

Igreja Matriz da Nave – Sabugal – (Foto: Blogue Amigos da Nave)

Inventário dos mobiliários e imobiliários da freguesia supra, organizado em virtude do Decreto de 20 de Abril de 1911.
Aos cinco de agosto de mil novecentos e onze, nesta paroquial igreja da freguesia da Nave, orago de Nossa Senhora da Conceição, sendo presente o presidente da Câmara, servindo de Administrador do Concelho, José Casimiro da Costa Quintela, o empregado da Fazenda, Alípio das Neves Ferreira, representando o Secretário de Finanças deste concelho, José Fernandes, presidente da comissão paroquial e o pároco padre Bernardo Nunes, se procedeu ao inventário dos bens mobiliários e imobiliários desta freguesia, na conformidade do Decreto de vinte de Abril último, pela forma seguinte:

Edifícios
Igreja paroquial, situada ao norte da povoação da Nave, fora do povoado; corpo principal e sacristia, altar mor e dois laterais, torre com dois sinos de tamanho regular.
Imagens:
Senhora da Conceição, Santa Bárbara, Santa Catarina, Coração de Jesus, Deus Menino.

Igreja de Santo António, no sítio do Reduto, corpo principal e sacristia, altar mor e dois laterais e um campanário com dois sinos regulares. Contém as imagens de:
Santo António, Espírito Santo, Senhora do Rosário, São Sebastião, São Domingos e Senhor do Sepulcro.
Capela de Santo Cristo, no sítio do mesmo nome, com altar mor, campanário com um pequeno sino. Contém a imagem de Santo Cristo e os seguintes objectos, em bom uso:
Três casulas, quinze opas pretas, um pano roxo para o púlpito, um frontal de seda, uma bandeira das almas, um cálice de metal e uma cortina para o sacrário.
Capela de Aldeia da Dona (anexa), corpo principal e sacristia, altar mor e dois laterais e um campanário com dois sinos. Contém as imagens de Santo Amaro, Santo António, Santo André, Senhora da Saúde e os seguintes objectos, usados:
Três casulas, duas dalmáticas, um cálice de prata antigo, um vaso sacramental de metal, duas lâmpadas e seis lanternas de lata.

Capela de Santo André, em Aldeia da Dona, fora do povoado e quase em ruínas.
Uma casa pequena, situada junto à Igreja de Santo António
Objectos destinados ao culto existentes na igreja paroquial, todos usados:
Uma campainha;
Uma custódia de prata;
Um vaso sacramental de prata;
Uma chave do sacrário de prata;
Quatro resplendores de prata;
Duas coroas de prata;
Duas cruzes paroquiais, de metal;
Dois turíbulos de metal;
Duas navetas de metal;
Duas caldeirinhas de metal;
Uma campainha de metal;
Dois castiçais de metal;
Quatro lâmpadas de metal;
Um par de galhetas de estanho;
Três ambulas de estanho;
Um vaso para águas de estanho;
Uma tesoura de ferro;
Um ferro para hóstias;
Um ferro para cortar partículas;
Seis lanternas novas e dez usadas, de lata;
Três lâmpadas de lata;
Duas caixas para hóstias;
Uma caixa para as inscrições;
Doze castiçais e duas cruzes de madeira;
Duas cruzes paroquiais de madeira;
Duas cruzes pequenas de madeira;
Dois confessionários de madeira;
Uma mesa de credenciais de madeira;
Uma mesa com gavetas de madeira;
Quatro bancos grandes de madeira;
Duas cómodas de madeira;
Um armário de madeira;
Seis varas para pálio, de madeira;
Duas caixas para esmolas;
Dias caixões para cera, de madeira;
Sete andores de madeira;
Duas estantes para missal, de madeira;
Três estolas paroquiais, de seda;
Três casulas brancas, de seda;
Duas casulas roxas, de seda;
Uma casula verde, de seda;
Duas casulas vermelhas, de seda;
Quatro dalmáticas brancas de seda;
Duas dalmáticas roxas, de seda;
Uma capa de asperges branca, de seda;
Uma capa de asperges branca e vermelha, de seda;
Uma capa de asperges vermelha, de seda;
Uma capa de asperges roxa, de seda;
Uma capa de asperges verde, de seda;
Três véus de ombros, de seda;
Nove véus para cálice de seda;
Dois véus para custódia, de seda;
Um pavilhão para o sacrário, de seda;
Duas cortinas de seda;
Cinco bolsas de corporais;
Um pálio, de seda;
Duas umbelas, de seda;
Dois estandartes, de seda;
Um docel;
Dezanove opas encarnadas, de lã;
Três opas brancas, de lã;
Dois estandartes, de lã;
Dez toalhas para altar, de linho;
Seis mesas de corporais, de linho;
Dezasseis sanguinos de linho;
Seis alvas de linho;
Sete cordões de linho;
Uma toalha para comunhão, de linho;
Três tapetes para altares, de chita;
Três missais;
Dois batistérios;
Duas hastes;
Um disectário;
Um livro para o rosário;
Um livro para a trezena de Santo António;
Uma arca de madeira;
Duas mesas de castanho com gavetas;
Três bancos se assento, novos, pequenos;
Duas cadeiras de castanho.
Inscrições pertencentes à Confraria, não erecta.

Uma de 1.000.000 reis, número 123002; quatro de 100.000 reis, números 192884-192885-202536-204453; um certificado de 50.000 reis número 12465,

Bens pertencentes ao passal do pároco:
Uma terra no sítio do Cabeço do Seixo, limite da Ruvina, confronta ao nascente, poente e norte com Domingos Dinis, sul com caminho público.
Uma sorte de chão secadal, sita ao Espinhel, limite da Nave, confronta ao poente, nascente e sul compadre Bernanrdo Nunes, norte com Joaquim Gonçalo.
Uma sorte de chão regadio, sita à Veiga, limite dito, confronta ao nascente com ribeira pública, poente com regadeira pública, norte com Tomé Pires Malcato, sul com Francisco Barbosa.

Notas de rodapé dão conta de que a Igreja paroquial, a igreja de Santo António, capela do Santo Cristo, capela de Aldeia da Dona e a capela de Santo André, assim como diversos terrenos pertencentes ao passal, foram entregues à Fábrica da Igreja pelo auto de entrega datado de 18-4-1945, Procº 18.202.

Bens pertencentes à Confraria do Santíssimo
Uma tapada no sítio da Relva da Igreja, confronta ao nascente com António Valverdinho, norte com Manuel Martins da Engrácia, sul com herdeiros do Rombo do Tortosendo, poente com José Benedito.
Uma tapada no sítio do Salgueiral, confronta ao nascente com Manuel da Paixão, poente com Joaquim Valverdinho, norte com caminho, sul com António Dâmaso.
Uma terra, no sítio de Vale de Paulos, confronta ao nascente com herdeiros de António dos Santos, poente com António Maria Pina, sul com quem deva e haja de partir, bem como ao norte.
Uma terra no sítio da Trema, confronta ao nascente com Aurélio Pires, poente com Francisco Gonçalves Lages, norte e sul com quem deva e haja de partir.
Uma terra no sítio do Vale de Lameiras, confronta ao nascente com Manuel Martins da Engrácia, poente e sul com caminho, norte com Domingos Diniz.
Uma sorte de terra no mesmo sítio, confronta do nascente, poente e sul com Manuel Joaquim Costa, norte com caminho.
Uma terra no sítio do Pombal, confronta ao nascente e sul com caminho, poente com Joaquim Antunes da Fonseca, norte com Eduardo Guimarães.
Uma terra no sítio do moinho do Bartolomeu, confronta ao nascente com caminho, poente com Jerónimo Metelo, sul com Francisco Matias, norte com Alexandre Vasco.
Uma terra à Devezinha, confronta ao nascente com António Valverdinho, poente com caminho, norte com Rombo do Tortosendo, sul com Manuel Martins da Engrácia.
Uma terra no sítio das Pedras Empinadas, confronta ao nascente com António Paulo Sanches, poente, norte e sul com Lourenço Nunes.
Uma sorte de chão no sítio dos Trepolos, confronta ao nascente com José Joaquim de Peroficós, poente e sul com Jerónimo Metelo, norte com Manuel Martins da Engrácia.
Uma terra no sítio do Pombal, confronta ao nascente e sul com Manuel Vaz Vigário, poente com José Damas, norte com Joaquim Antunes da Fonseca.
Duas tapadas mistas no sítio do Salgueiral, chamadas da Inês, confrontam ao nascente e sul com caminho, poente com o Rombo do Tortosendo, norte com Manuel Vaz.
Uma tapada no sítio das Choças, confronta ao nascente e norte com caminho, sul com logradouros públicos.
Uma sorte de tapada no sítio das Valdeiras, confronta ao nascente com Manuel Rego, poente com Manuel Gonçalves, norte com José Reis, sul com logradouro público.
Uma terra no sítio da Vereda da Bismula, confronta ao nascente com caminho, poente com Francisco Matias.
Uma terra no sítio das Safurdas, confronta ao nascente com Joaquim Antunes da Fonseca, poente com o Rombo do Tortosendo, norte com Francisco Esteves, sul com Caminho.
Uma terra no sítio do Lameirão, limite de Ruivós, confronta ao nascente com caminho, poente com Mendo Saraiva, norte com Confraria do Santíssimo de Ruivós.
Uma terra no sítio da Rodeira, confronta ao nascente com Manuel Barbosa, poente com Paulo Sanches, sul com Francisco Gonçalves Quadrazenho, norte com Manuel Fernandes.
Uma terra no sítio do Alto da Madalena, confronta ao nascente com Manuel Joaquim Costa, norte e sul com caminho.

Foros impostos em lameiros e outros prédios
Foro anual de duzentos reis pago por Manuel Martins da Engrácia e imposto em um lameiro no sítio do Linhar Taberneiro.
Foro anual de duzentos reis pago por Luís Martins Baltazar, imposto em um lameiro, no mesmo sítio.
Foro de duzentos reis anuais, pago por Joaquim Leal e imposto em uma sorte de chão, no sítio da Malhada Gonçalves.
Foro anual de seiscentos reis, pago por Manuel Martins d’Almeida e imposto em um chão no sítio da Malhada Gonçalves.
Foro anual de mil reis pago por José Viegas e imposto em um chão no sítio de Valdeiras.
Foro anual de seiscentos reis, pago por Francisco Barbosa, e imposto em um chão no sítio da Malhada Gonçalves.
Foro anual de trinta e dois litros de centeio, pago por Isabel Tourais e imposto em uma sorte de terra, no sítio do Lameiro Riado.
Foro anual de cento e vinte reis pago por Rita Malcata e imposto em uma sorte de chão no sítio das Saburdas.
Foro anual de oito litros de centeio, pago por Clara nabais de Aldeia da Ponte e hoje por Manuel Martins da Engrácia, imposto em uma sorte de tereno incluído na vinha da Fonte Pequena.
Foro anual de trinta e dois litros de trigo pago por Francisco Barbosa, imposto em uma sorte de chão, no sítio do Prado Seco.
Foro anual de dezasseis litros de centeio, pago por José Bendito e imposto em um lameiro no sítio do Vale da Loba.
Foro anual de cento e sessenta litros de centeio, pago por Joaquim Palinhos e imposto em um lameiro, hoje chão, chamado o das Almas, no sítio da Ponte Lameira.
Foro anual de seiscentos reis, pago por Baltazar dos Santos e imposto em uma sorte de tapada no sítio do Prado Seco.
Foro anual de sessenta reis, pago por Eduardo Marques Galhano e imposto em uma terra incluída na sua propriedade no sítio do Vale das Lameiras.

Foros pertencentes à Senhora do Rosário
Foro anual de mil e cinquenta reis, pago por Isabel Lopes Tomé e José Gonçalves Tomé, imposto em um chão no sítio do Vale da Corga.
Foro anual de seiscentos reis, pagos por Doutor José Dinis da Fonseca e imposto em um lameiro, chamado o dos Cativos.

Bens pertencentes à Confraria da Senhora da Conceição (foros)
Foro anual de trinta e dois litros de centeio, pago pelo Peçanha de Vilar Maior, imposto em uma tapada, no sítio das Carvalheiras.
Foro anual de setecentos reis, pago por Manuel Martins Jesuíno e imposto em um bocado de terra, no sítio do Salgueiral.
Foro anual de quinhentos reis, pago por Marcos Pereira, imposto em uma casa no sítio da Rua do Ribeiro.
Uma casa no sítio da Atalaia, confronta ao nascente, norte e sul com José Martins Vaz, poente com Bernardino Fernandes. Está arrendada.
Uma casa térrea, no sítio da Atalaia, confronta ao nascente e norte com caminho, poente com António Ramos Esteves, sul com Joaquim Esteves. Está arrendada.
Foro anual de mil e duzentos reis, pago por José Benedito e imposto em uma tapada, no sítio de São Domingos.
Foro anual de oitocentos reis, pago por Joaquim Marques, imposto em uma casa sobradada, no sítio do Ribeiro.
Foro anual de mil e seiscentos reis, pago por Manuel Martins da Engrácia, imposto em um lameiro chamado de santo António, no sítio do Vale de Lameiras.

Não havendo mais bens a inventariar se dá por concluído este auto, ficando tudo a cargo do presidente da comissão paroquial.

Do processo consta um arrolamento adicional, datado de 24 de Novembro de 1930:
Aos vinte e quatro dias do mês de Novembro de mil novecentos e trinta, nesta freguesia da Nave e igreja paroquial, compareceram os cidadãos Afonso Lucas, Administrador do Concelho, José Fernandes, presidente da Comissão Paroquial administrativa, Ismael Augusto da Mota, representante da Câmara Municipal, comigo, José da Costa Ilharco, chefe da Repartição de Finanças e secretário nato da Comissão Concelhia de Inventário dos Bens da Igreja, para os fins consignados no artigo 62 da lei de 20 de Abril de 1911 (Separação da Igreja do Estado) a fim de se proceder ao arrolamento e inventário dos bens a seguir descritos, ordenado em ofício do dia dezoito do mês corrente, sob o n.º 14130, do processo Livro 14, fls 328, 1ª Secção, do Ministério da justiça e dos Cultos – Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais, a saber:
Edifício da capela de S. Domingos e adro, completamente em ruínas, no limite da Nave, confronta do nascente e sul com Manuel Marra da Cruz, poente e norte com caminho público.
Não havendo mais a inventariar se houve por concluído o presente auto que vai assinado por todos.

Este auto de arrolamento adicional contém uma nota de rodapé, informando que a capela foi entrega à Fábrica da Igreja pelo auto de entrega datado de 18-04-1945, Procº 18.202/257

O processo contém ainda um outro auto de arrolamento, datado de 9 de Agosto de 1943:
Aos nove dias do mês de Agosto de mil novecentos e quarenta e três, na freguesia da Nave deste concelho do Sabugal, compareceram perante mim, José Figueiredo de Melo, informador fiscal, funcionário indicado para servir de escrivão neste auto, e as testemunhas idóneas adiante nomeadas, os Senhores, Raúl Soares Nobre, aspirante servindo de chefe de Secção, e o pároco da referida freguesia, como informador, na sua qualidade de representante da fábrica da igreja, a fim de, nos termos do artigo quarente a seis do decreto-lei número trinta mil seiscentos e quinze, de vinte e cinco de Julho de mim novecentos e quarenta, se procedeu ao arrolamento requerido à Direcção Geral da Fazenda Pública dos seguintes bens:
1º- Dependências da Igreja paroquial desta freguesia.
2º- Dependências da Igreja denominada de Santo António.
3º- Dependências da Capela denominada de Santo Cristo.
4º- Dependências da Capela na povoação de Aldeia da Dona, anexa da freguesia da Nave.
5º- Um pequeno lameiro atravessado pelo ribeiro, no sítio do Lavágio, conhecido pelo nome de «Lameiro de Santo Amaro» e que confronta do nascente com caminho público, poente e sul com José Joaquim Martins, e do norte com José Joaquim Martins, limite de Aldeia da Dona, anexa desta freguesia.
6º- Um terra centeeira, conhecida como «Seara do Santo Amaro», no dito limite de Aldeia da dona e no sítio das «Laginhas do Poço de Barro», que confronta do nascente com Domingos Leitão, poente com José Leal, norte com António Joaquim Vasco e sul com caminho público.
7º- Uma terra centeeira, conhecida por «Terra de Santo Amaro», no dito limite de Aldeia da Dona e no sítio do Carapito, que confronta do nascente com José Leitão, poente com José Leal, norte com José Francisco dos Santos e sul com Manuel José Nunes.
8º- Uma terra centeeira, conhecida por Terra de Santo André, no dito limite de Aldeia da Dona e no sítio da «Lage Grande ou Tapada das Paredes», que confronta do nascente e sul com Isabel Paulos, poente e norte com José Francisco dos Santos.
9º- Uma terra denominada «Chão da Garrada», limite da Nave, que confronta do nascente com José Martins do Peroficós, poente e sul com Augusto Metelo e norte com Manuel Martins da Engrácia.
10º- Uma terra denominada «Terra da Rodeira», no sítio da Rodeira, limite da Nave, que confronta de nascente com Manuel Barbosa, poente e sul com Joaquim Gonçalves Quadrazenho e norte com Manuel do Nascimento Fernandes.
11º- Uma terra, denominada «Terra dos Vales», no sítio dos Vales, limite da Ruvina, freguesia do concelho do Sabugal e limítrofe da freguesia da Nave, a qual confronta do sul com estrada, norte nascente e poente com D. Cândida Dinis da Fonseca.
Nestes termos deu-se o presente arrolamento por efectuado, sem mais formalidade.
Foram testemunhas presentes, Olímpio Augusto Quintela e João de Fontes e Sousa, casados, escrivães das execuções fiscais, que também assinam este auto.

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

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«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

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