Aldeias quase desertas

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A oportuna e eficaz crónica de Maria Rosa Afonso com o título em epígrafe, merece de todos uma reflexão a que não fujo.

Movimento pelo Interior - Capeia Arraiana

Movimento pelo Interior

Tenho, à partida, uma objeção ao que esta nossa conterrânea diz. Podem as ruas das nossas aldeias estarem desertas, só ganhando alguma vida no Verão, o que não significa que as mesmas não possuam um conjunto de pessoas, mais idosas ou menos idosas, que ali vivem e convivem e, mesmo, têm um nível de sociabilidade, de vizinhança e de entreajuda muito superior à que se vive na grande cidade.

Termina a nossa conterrânea a sua crónica dizendo «Espero que haja gente com ideias claras».

E acredito que sim, embora tenha receio que muitos dos opinadores tenham as suas ideia enformadas pela sua vivência em grandes cidades, ou, pior ainda, olhem para o Interior como se de um espaço musealizado se tratasse ou, ainda pior, como os «desgraçadinhos» do Interior.

As nossas aldeias não são museus, nem são ocupadas por portugueses de segunda.

Por outro lado, tremo de medo quando ouço dizer que das 164 medidas que integravam o famoso Plano Nacional para a Coesão Territorial, já estão implementadas cerca de dois terços (!). Ou são medidas a médio, longo prazo, ou temo que se esteja a falar de algo que ninguém no nosso Concelho, entenda e veja resultados.

Mas, e pela primeira vez, vejo gente do Interior a querer pensar e apresentar propostas concretas.

Falo do Movimento pelo Interior, a que aderi de imediato, de quem se aguarda a apresentação das propostas que resultaram do processo de reflexão alargada que vem acontecendo pelo País.
Como sempre tenho dito, se não formos nós a tomar conta do nosso futuro, não serão os outros a fazê-lo por nós.

A ver vamos.

ps. Chamo a atenção para o texto da responsabilidade do nosso conterrâneo Vítor Andrade (Bendada), publicado no caderno «Economia» do Expresso de sábado passado, com o título «O que é que atrai o investimento?», esclarecedor do ponto de situação deste tema.

:: ::
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

Deixar uma resposta