Os bens das igrejas da Lageosa

:: :: LAGEOSA :: :: O arrolamento dos bens das igrejas e capelas da freguesia da Lageosa da Raia, no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 29 de Março de 1912. Transcrevemos os respectivos autos de arrolamento existentem no processo.

Igreja Matriz Lageosa da Raia - Capeia Arraiana

Igreja Matriz Lageosa da Raia – Capeia Arraiana

Aos vinte e nove dias do mês de março de mil novecentos e doze, nesta freguesia da Lageosa e no edifício da igreja paroquial denominada a da Senhora das Neves, onde compareceu o cidadão José Augusto Martins Paiva, representante do Administrador deste Concelho, e bem assim o cidadão Manuel Caria, indicado previamente pela Câmara Municipal deste mesmo concelho, comigo, Filipe José Serra, delegado do Secretário de Finanças e da Comissão Concelhia de Inventários, para os fins consignados no artigo 62º da Lei da Separação das Igrejas do Estado; e assim principiamos o arrolamento e inventário da forma seguinte:

Bens imóveis
Uma igreja denominada da Senhora das Neves, com campanário, tendo este dois sinos de tamanho regular, com sacristia, altar mor e dois laterais.
Uma capela, denominada do Espírito Santo, situada no sítio do mesmo nome, com altar mor e a imagem do espírito Santo.

Bens móveis
Alfaias e paramentos:
Dois pálios, de damasco, de diversas cores, um novo e outro velho.
Uma umbela de damasco, branca, em bom uso.
Duas capas de asperges, de damasco, de diversas cores, uma nova e outra velha.
Duas capas de asperges, de damasco, em mau estado.
Um terno, com todas as pertenças, de damasco preto, em bom uso.
Três casulas de damasco, de diversas cores, sendo uma nova e as outras usadas.
Quatro alvas de linho, em uso regular.
Duas estolas, em uso regular.
Dois véus de ombros de damasco, de diversas cores, um bom e outro em mau estado.
Três guiões de damasco, de diversas cores, já velhos.
Um estandarte de damasco amarelo, em bom uso.
Vinte opas, de paninho encarnado, em meio uso.
Quatro véus para cálice, de seda, em meio uso.
Uma bolsa para corporais, em bom uso.
Dois cálices de prata, em uso regular.
Uma custódia de prata, em uso regular.
Um vaso sacramental, de prata, em bom uso.
Um turíbulo de metal, com naveta, em bom uso.
Uma caldeirinha de estanho, para água benta, em uso regular.
Uma cruz de metal amarelo e outra de madeira, em bom uso.
Duas banquetas, uma de metal e outra de madeira dourada, em mau estado.
Seis lanternas de lata, em meio uso.
Dois missais, um novo e outro velho.

Imagens de:
Senhora das Neves – orago da igreja.
Senhora do Rosário
Senhora da Conceição
Senhora das Dores
São Basílio
Menino de Deus
São Caetano
São Sebastião
Santo António
Espírito Santo – já descrito na capela do mesmo nome.

Não existem bens do passal.
E não havendo outros bens a inventariar, se conclui este auto, ficando tudo entregue ao presidente da junta de paróquia, que vai assinar com os representantes do Administrador do Concelho e do Secretário de Finanças deste concelho, mencionados no princípio deste auto.

Sobre a Lageosa consta um auto adicional, datado de 10/03/1931:

Auto de Arrolamento (adicional)
Aos dez dias do mês de Março de mil novecentos e trinta e um, nesta Freguesia de Lageosa e igreja paroquial, compareceram o cidadão Afonso Lucas, Administrador do concelho do Sabugal, José Gonçalves Natário, presidente da Comissão de Paroquial Administrativa, José Maria Gonçalves Baltazar, representante da Câmara Municipal, comigo José da Costa Ilharco, chefe da Repartição de Finanças do mesmo concelho e secretário nato da Comissão Concelhia de Inventário para os fins consignados no artigo 62º da Lei de 20 de abril de 1911 (Separação da Igreja do Estado); a fim de se proceder ao arrolamento e inventário a dos seguintes imóveis abaixo designados, de harmonia com o ofício da 2ª Repartição da Direcção Geral do Ministério da Justiça e dos Cultos, de 20 de Fevereiro último, Livº.9 nº.5688, fls.137, a saber:
Adro da igreja paroquial, confronta do nascente, poente e sul com caminhos públicos e do norte com cemitério público.
De tudo para constar se lavrou o presente auto, que vai ser assinado por todos.

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

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«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

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