Um olhar diferente de Moscovo

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Estando a Rússia na ordem do dia, neste Trilho de Viagens, venho-lhes contar alguns aspetos interessantes de Moscovo. Embora tenha efetuado a visita em 2009, seguramente que os episódios relatados nesta crónica, ainda estarão muito atuais.

Um olhar diferente de Moscovo - António José Alçada - Capeia Arraiana

Um olhar diferente de Moscovo

A capital da Rússia é uma cidade muito interessante de visitar. Rodeada de densas florestas criando uma verdadeira fortificação natural, como comprovaram as derrotas de Hitler e de Napoleão, tem ainda uma rede de canais fluviais que permitem a sua ligação ao mar, através do Rio Moscovo.

Dos locais que visitei, aquele que mais me fascinou foi a Catedral do Cristo Redentor, obra do Arquiteto Konstantin Ton, de estilo bizantino e erguida em 1883 para celebrar a vitória sobre Napoleão. O monumento foi reconstruído, em 1997, por iniciativa do Presidente da Câmara de Moscovo, Yuriy Lushkov, tendo sido exatamente replicada da original e executada no mesmo local.
A história remonta a Estaline, homem marcante da Historia Soviética, conhecido pela frase «Onde há um homem há um problema, onde não há homens não há problemas». O estadista considerava este templo uma afronta e destrui-o por completo, em 1931, na esperança de edificar, no mesmo local, o palácio dos Sovietes com uma torre com 315 metros de altura, encimada por uma estátua de Lenine. O facto, porém, é que nunca o conseguiu. Após a demolição foram construídas umas piscinas e depois veio a II Grande Guerra com a fuga dos moscovitas da cidade.

No pós-guerra, parecia que a catedral poderia ser finalmente substituída pelo grande palácio, mas faltava a tão desejada verba, visto que a União Soviética estava em reconstrução depois de ter sido devastada pelos combates. Entretanto cai o muro (em Berlim) e vem a «abertura» trazendo a inevitável reconciliação com o passado.

A Casa Branca - António José Alçada - Capeia Arraiana

A «Casa Branca»

Outro local que me marcou, na visita em 2009, foi a «Casa Branca». Na época o Primeiro-ministro era… Vladimir Putin, depois de já ter sido Presidente. O seu gabinete, na época, era precisamente na… «Casa Branca». Não é brincadeira é pura verdade. Este edifício já foi palco de duas cenas da história contemporânea tendo sido o seu principal ator o Sr. Boris Yeltsin. Em 1991, ainda era o Parlamento soviético e foi cenário da resistência contra o golpe para derrubar o Presidente Mikhail Gorbachev tendo Boris Yeltsin, contra tudo e todos, «rechazado» a oposição comunista e provocado a cisão da União Soviética, acabando por criar o nascimento da Federação Russa. Este episódio foi transmitido em direto pelas televisões para quase todo o mundo (excluímos aqui os países que ainda têm censura ou que as novelas se sobrepõe a tudo…).

Posteriormente, em 1993, houve uma nova cena, com Boris Yeltsin, mas ao «revés». O então Presidente da Federação Russa suspendeu o Parlamento, por decreto, tendo voluntariamente um grupo de deputados ficado fechado lá dentro, como medida de protesto, e chamando novamente assim a atenção mediática. Este cerco durou cerca de 2 semanas tendo havido mesmo tiroteio e alguns estragos. O certo é que depois deste episódio o Parlamento Russo mudou de localização, e aproveitando a «vaga», o Primeiro-ministro ocupou a «Casa Branca» na sua totalidade.

Obviamente que Moscovo tem muito para ver e visitar, como por exemplo a Praça Vermelha, o Kremlin (que significa fortaleza e foi construída, em madeira, em 1156), a Galeria de Arte Tretyakov (onde está o famoso quadro da menina dos pêssegos do pintor Sekov) e algumas das Estações do Metropolitano.

Como já tive ocasião de referir, para além da vitória sobre Napoleão, outra grande marca de sucesso evidenciada em Moscovo foi a derrota dos nazis.

Mesmo com uma temperatura muito negativa, tive coragem de visitar o Parque Pobedy que significa «Vitória», embora complementada pela expressão de «Vitória na Grande Guerra Patriótica». Este recinto teve igualmente origem no regime soviético mas só foi concluído em 1995 (ainda falam nas obras de Santa Engrácia) com os adequados cortes orçamentais. Ao que parece, os sovietes, pretendiam construir uma estátua megalómana da Mãe Rússia.

Porém, os atuais governantes, optaram pela construção de um obelisco, com apenas 142 metros de atura, dando-lhe o nome de «Nike» (não é o que julgam) que pretende homenagear a deusa grega da «Vitória». Para além deste parque, existe ainda no recinto, uma igreja ortodoxa, construída também em 1995, tendo sido a primeira edificada após a queda do regime soviético.

Na próxima semana irei falar-lhes sobre São Petersburgo, uma imponente metrópole construída de raiz no século XVIII «contra ventos e marés», e onde os Russos foram buscar muita influência do Ocidente Europeu.

Lisboa, 5 de abril de 2018

:: ::
«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

Deixar uma resposta