Crescem os radicalismos políticos

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Cada vez que os movimentos radicais ganham terreno, em eleições europeias, o último caso foi Itália, mas já tinha acontecido noutros países (Hungria, Polónia, Holanda, Áustria, França, Alemanha,…), são os pilares democráticos: a dignidade humana, a igualdade perante a lei, os direitos humanos, a justiça, a separação de poderes, a laicidade do Estado…, que são postos em causa.

Radicalismo - Capeia Arraiana

Radicalismo

Estes movimentos, nalguns casos, elegem deputados e entram nos parlamentos; noutros, integram governos minoritários, tornando a governabilidade muito mais difícil; noutros, ainda, dispõem de maiorias e governam como querem, quase sempre com tiques de autoridade, alterando leis, cerceando direitos já conquistados, revendo constituições… e tudo em nome do povo e com os votos do povo. Já vimos isto acontecer na Alemanha nazi e o mundo conhece os resultados.

Os extremos políticos, ao excluírem a abertura e a discussão crítica que os consensos supõem, destroem as pontes, não deixam passagens; sem abertura, não há possibilidade de se encontrarem espaços de diálogo, para a construção de uma cidadania, de um viver em comum, que estime e respeite a diversidade de valores e de convicções.

A consequência é a radicalização de posições, ou eles ou o caos, ou eles ou a insegurança, como se no exterior tudo fosse ameaça. De resto, é este discurso sobre a insegurança, sobre a ameaça que vem de fora, que leva a discursos xenófobos, contra os imigrantes, os refugiados e outras minorias: «Nós e eles; os bons e os maus.» A resposta tem sido mais autoridade, mais demonstração de força, mais polícias, mais vigilância, mais controlo, mais muros…

Mas, será possível, nos dias de hoje, fechar um país ao resto do mundo? Claro que não. É uma impossibilidade e um contra-senso, portanto, apesar do risco ser real, o retrocesso democrático que alguns querem impor não será mais que uma invernia. Voltarão os dias de sol (porque não pode ser de outra maneira, talvez, uma outra ideia de democracia).

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

One Response to Crescem os radicalismos políticos

  1. António Emídio diz:

    Maria Rosa Afonso :

    Tudo se resume a esta equação: mais Democracia, menos extremismos.
    Mais Justiça Social, menos extremismos.
    Menos corrupção, menos extremismos.
    Com um pouco mais de cultura já não se acredita em «bocas» como esta: « Agora, António Guterres vai encher Portugal de refugiados »
    Como é lógico, estavam-se a referir à eleição de António Guterres como Secretário Geral das nações Unidas, quem lançou isto cá para fora ? Fácil de adivinhar, quem «engoliu» isto ? Facílimo de adivinhar…

    António Emídio

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