Massificação

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

«Abandonai as cidades homens estúpidos!» Quem este grito lançou foi Maiakovski, poeta e dramaturgo Russo. Platão também disse que a convivência no meio da massificação se torna difícil. Isto são fenómenos que têm surgido ao longo da História da Humanidade, sendo pura realidade o que deles sempre se disse, que vai desde Platão a Maiakovski, ou seja, do ano 347 antes de Cristo até ao século XXI.

Massificação - Capeia Arraiana

Massificação

Nietzsche, chamou à massa apinhada nos grandes centros urbanos «animal rebanho» que transforma os indivíduos numa massa anónima sem nenhum vínculo pessoal e cuja essência é a alienação. Esta massificação não se limita a ser um fenómeno físico, também é psíquico, faz parte da sua dimensão interior, criando no homem urbano, modos de ser, de pensar e de sentir, cada vez mais estandardizados. É irónico, mas não deixa de ser uma realidade que a civilização actual, que se regozija de ter criado o Homem soberano, livre e moderno, presencie agora a sua morte e substituição por um individuo despersonalizado, sem objectivo, e fabricado em série que vemos arrastar-se pelas grandes Megalópoles do Terceiro Mundo, e também do Primeiro!

A identidade do homem massificado não é uma identidade que se forma dentro dele próprio, é um produto da influência sobre ele exercida, a sua consciência não é independente, é um simples reflexo da consciência vigente à sua volta, ou seja, o homem sai do seu interior e assume o que está fora dele. Saliente-se que cada homem tem o seu o seu – Eu – particular, mas no que toca a nível de valores, são idênticos, não se diferenciam uns dos outros.

Querido(a) leitor(a), a massificação psíquica também está já fora das grandes Magalópoles, invade o interior dos países, vejamos: consomem-se os mesmos produtos, já tudo se compra nos mesmos supermercados,vêem-se os mesmos programas de televisão, lêem-se os mesmos jornais, os computadores, telemóveis, e automóveis são os mesmos, etc., etc., etc.

Ninguém, querido(a) leitor(a) na sociedade actual está em condições de viver realmente com a sua própria vontade.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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