Os bens das igrejas da Cerdeira

:: :: CERDEIRA :: :: O arrolamento dos bens da igreja e capelas da freguesia da Cerdeira, no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 25 de Março de 1912. Transcrevemos o respectivo auto de arrolamento e demais documentação existente no processo.

Capela da Senhora do Monte - Cerdeira - Sabugal - Capeia Arraiana

Capela da Senhora do Monte na Cerdeira

Aos vinte e cinco dias do mês de março de mil novecentos e doze, nesta freguesia de Cerdeira e no edifício da igreja paroquial denominada de Senhora da Visitação, onde compareceram os cidadãos José Augusto Martins Paiva, representante do Administrador deste Concelho, e bem assim, o cidadão Álvaro Fernandes, indicado previamente pela Câmara Municipal deste concelho, comigo Filipe José Serra, delegado do Secretário de Finanças e da Comissão Concelhia de Inventários, para os fins consignados no artigo 62º da Lei da Separação das Igrejas do Estado, e assim principiamos o arrolamento e inventário da forma seguinte:

Bens imóveis
Uma igreja denominada da Senhora da Visitação, sita no largo da Igreja, e que serve de igreja matriz, com um campanário, com dois sinos, de tamanho regular, com sacristia, altar mor e mais dois laterais, em uso regular.

Uma capela, a de Nossa Senhora dos Aflitos, situada na Rua da Atalaia, com uma sineta pequena, um altar contendo este a imagem do Senhor dos Aflitos.

Uma capela designada a de Nossa Senhora do Monte, situada no monte do mesmo nome, contendo uma sineta pequena, um altar mor e dois laterais, contendo estes as imagens de Nossa Senhora do Monte, Senhor dos Passos, Santo Cristo, Santa Ana, S. João, Senhora das Dores.

Uma capela denominada a de Santo Amaro, sita na Quinta do mesmo nome, com altar mor, contendo a imagem de Santo Amaro, tudo isto em mau estado.

Uma capela, a de Nossa Senhora do Desterro, sita na Quinta da Redondinha, com altar mor, contendo a imagem de Nossa Senhora do Desterro, tendo também uma pequena sineta.

Bens móveis
(os bens móveis não aparecem no processo digital, certamente por falta de digitalização de uma folha do processo material)

Bens do passal
Uma casa com um pequeno curral e quintal também pequeno, sita na rua da Igreja, que parte do nascente, norte e sul com caminho público e poente com Júlio Gonçalves, desta freguesia.
E não havendo outros bens a inventariar, se conclui este auto, ficando tudo entregue ao presidente da junta de paróquia, que vai assinar com os representantes do Administrador do Concelho e do Secretário de Finanças, mencionados no princípio deste auto.

Do processo consta um «Auto de Arrolamento (adicional)» datado de 9 de Agosto de 1930:
Aos nove dias do mês de Agosto de mil novecentos e trinta, nesta freguesia da Cerdeira do Côa e igreja paroquial, compareceram os cidadãos Afonso Lucas, Administrador do Concelho do Sabugal, António Pereira Monteiro, presidente da Comissão Administrativa da freguesia referida, comigo, Ismael Augusto Mota, representante da Câmara Municipal do Concelho do Sabugal, servindo de secretário, e Francisco do Amaral Azevedo, como representante do Secretário de Finanças deste concelho, a fim de se proceder ao arrolamento e inventário de:
Um lameiro que faz parte do passal pertencente a esta freguesia, denominado o Rebolal, que parte do nascente com Joaquim Lourenço, poente com caminho público, norte com Emília Neves e sul com Luiz Faria.
Para constar se lavrou o presente auto que vai assinado pelas entidades acima, depois de lido em voz alta perante todos.

Consta ainda outro auto de arrolamento, este datado de 20 de Agosto de 1941:
Aos vinte dias do mês de Agosto de mil novecentos e quarenta e um, no lugar da Azilheira, freguesia da Cerdeira do Côa e no edifício da Capela Benedito, onde compareceram os Senhores Francisco do Amaral Azevedo, aspirante, servindo de chefe da Secção de Finanças deste concelho, e Manuel Francisco Cardoso, pároco da referida freguesia, comigo Manuel Ferreira de Pina, aspirante, servindo de escrivão neste auto, e as testemunhas idóneas abaixo mencionadas, arrolamos a referida capela de São Benedito, situada neste lugar.
Este arrolamento é feito segundo o determinado pelo ofício número 877, de 20 de Março último, do Excelentíssimo Director Geral da Justiça.
Não havendo outros bens a inventariar, se concluiu este auto que vai ser assinado por todos os interessados e pelas testemunhas António José Rocha e Joaquim de Castro Guimarães, ambos casados, funcionários públicos e residentes na vila do Sabugal.

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

:: ::
«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

One Response to Os bens das igrejas da Cerdeira

  1. Teresa Castro Cirne de Castro diz:

    Boa tarde, ainda, José Fernandes
    Em relação aos Bens móveis, gostaria de fazer 2 comentários
    1. (Os bens móveis não aparecem no processo digital, certamente por falta de digitalização de uma folha do processo material).
    Eu diria que os bens móveis não aparecem porque a maioria (a mais valiosa) “desapareceu”. Ia constando, ao longo das décadas, que alguns párocos tinham vendido ícones do séc. XVII (eu própria, quando criança, dei pela sua ausência e respectiva substituição por outros mais modernos).
    2. “Um lameiro que faz parte do passal pertencente a esta freguesia, denominado o Rebolal, que parte do nascente com Joaquim Lourenço, poente com caminho público, norte com Emília Neves e sul com Luiz Faria”.
    Agora, que já não tenho a responsabilidade da herança indivisa, deixei de ter acesso ao Portal das Finanças para os bens dos meus irmãos. Mas desconhecia que, além do lameiro do Rebolal herdado, ainda havia outro lameiro de Rebolal da Igreja…Eu iria investigar. Todavia, como a actual herdeira nunca mais se interessou pelo que herdou, será (ou não) problema dela.
    Abraço
    Teresa Castro

Deixar uma resposta