Sinos e campainhas

O uso de sinos e campainhas advém da antiguidade e foram desde aí aplicados em funções diversas, quer de índole religiosa quer profana.

Sinos de igreja

Era através do toque de sinos que os egípcios anunciavam as festas em louvor de Osíris.
Entre os hebreus o grão-sacerdote vestia em certas ocasiões uma túnica guarnecida com guizos de ouro.
Também em Atenas, na Grécia antiga, os sacerdotes de certas divindades usavam túnicas guarnecidas de guizos.
Estrabão, historiador e filósofo grego, disse que era através de sinos que se anunciava a abertura do mercado.
Plínio descreveu o túmulo de um antigo rei da Toscana todo ele ornado de sinos.
Era ao som dos sinos que em Roma se anunciava a hora do banho.
Em casa dos senhores era tangendo sinos que se chamavam as pessoas para a mesa às horas da comida.
Desde tempos remotos que se penduram campainhas ao pescoço dos animais domésticos para espantar os lobos e para que os pastores conhecessem o seu paradeiro.
As campainhas também servem de amuletos que afastam os maus espíritos.
Os sinos são recorrentemente usados nos cerimoniais religiosos. Julga-se que terá sido Paulino, bispo de Nola, a introduzir o uso de campainhas e sinos no culto divino, no ano 400 da era cristã. Os sinos ocuparam lugar nos tempos religiosos em tal abundância que, estando a cidade de Sens cercada, Lobo, bispo de Orleans, ordenou que se tocasse a rebate, o que causou o pânico nos sitiantes, que fugiram em grande desordem.
Aos poucos foi-se introduzindo o uso dos sinos para chamar os fieis cristãos às orações, substituindo o secular uso das matracas.
As campainhas também foram progressivamente introduzidas nas procissões.
Mas os sinos das igrejas não tiveram apenas funções estritamente religiosas. Eles anunciavam o perigo, comunicavam desgraças e anunciavam boas novas. Era o tanger lento dos sinos que anunciava a morte de algum habitante e era o seu repique que comunicava a chegada de reis e de altos dignatários a uma localidade.
Poucas cidades há que tenham tantos e melhores sinos como Lisboa, cujo repique é nos dias de hoje abafado pelos milhentos sons estridentes que são produzidos na cidade moderna, privando os habitantes e os visitantes de se maravilharem com as melodias que as torres sineiras oferecem em certas horas do dia.
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Por Paulo Leitão Batista

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