Megalópoles (2)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A existência de megalópoles é bom para o Concelho do Sabugal? Esta seria uma questão importante se, para além das Áreas Metropolitanas de Lisboa (2,8 milhões de habitantes em 2011) e Porto (1,8 milhões no mesmo ano), houvesse em Portugal e, sobretudo, na Região Centro, outras áreas de concentração significativa de população. Ora tal situação não se verifica.

Megalópoles são regiões de intenso desenvolvimento urbano - Capeia Arraiana

Megalópoles são regiões de intenso desenvolvimento urbano

Na verdade, nesta Região, e dos 100 Municípios que a constituem, somente Coimbra e Leiria possuíam mais de 100.000 habitantes em 2016, e apenas Alcobaça, Aveiro, Caldas da Rainha, Castelo Branco, Figueira da Foz, Ovar, Pombal, Torres Vedras e Viseu tinham mais de 50.000 habitantes naquele ano.

Como se percebe, tirando Aveiro e Coimbra e, em parte, Viseu (97.849 habitantes), todas as restantes cidades da Região entram no rol de médias (mais de 50.000), ou naquilo que se poderia chamar de “cidades locais”, isto é, com um número de habitantes inferior a 50.000 e com um raio de influência territorial relativamente escasso.

E no que diz respeito ao nosso Concelho, essa influência é exercida, no essencial, não por uma cidade, mas sim por um eixo longitudinal que engloba uma cidade média (Castelo Branco) e duas cidades locais (Guarda e Covilhã), num total de mais de 140.000 habitantes em 2016 e com uma «avenida comum», a A23.

E em relação a este eixo principal, defendi e continuo a defender que o mesmo se pode e deve constituir num motor do desenvolvimento dos Municípios sob a sua influência territorial (incluindo o Sabugal) para o que, e repito-me, se torna necessário:

– Adotar políticas voluntaristas de funcionamento em rede dos diferentes territórios da Beira Interior, mais ou menos densamente ocupados;
– Criar condições materiais e imateriais que tornem toda a Beira Interior como território atrativo, não privilegiando somente os centros urbanos do Eixo A23;
– Conjugar as fortes dinâmicas de desenvolvimento das cidades principais, muitas vezes ligadas a estratégias nacionais e globais, com dinâmicas de desenvolvimento local de menor amplitude, mas de importância fundamental para as populações que ali residem e trabalham e, mesmo, para a ocupação/sobrevivência do território nacional;
– Incorporar as relações transfronteiriças locais enquanto oportunidades de desenvolvimento.

Saliente-se que esta «rede» que venho defendendo há muitos anos, representa um universo populacional de mais de 300.000 habitantes.

Sem esta lógica de funcionamento em rede dos diferentes Centros Urbanos, acentuar-se-ão as situações de exclusão territorial no Interior, mas também de perda de importância nacional da Guarda, da Covilhã e de Castelo Branco.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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