Momentos de reflexão

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

A unidade Santa Cristina, pela Enfermeira Chefe, informou-nos que o Sector da Pastoral da Saúde, convida a todos a participarem nos momentos de reflexão, na Capela das Irmãos Hospitaleiras, sobre a Quaresma.

Viver a Quaresma do princípio ao fim

O Conferencista Padre Nuno Santos, Reitor do Seminário Maior de Coimbra, abordou o tema do JEJUM. Ninguém o inventou, mas temos de ler e meditar na mensagem quaresmal do Papa Francisco.
Vamos refletir na Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa, depois da Ceia do Senhor, com os Apóstolos.
Neste tempo preparamos a Páscoa, que dura quarenta dias. E porquê, este tempo? Temos de regressar ao Antigo Testamento para nos lembrar, que o Povo de Israel, esteve cativo dos Egípcios nesse tempo, até regressar à Terra Prometida. Também é o tempo da gestação no ventre das nossas Mães.
A Quaresma deve ser um tempo que ajude a nossa vida espiritual de cristãos assumidos, um tempo muito especial, muito importante.
O Orador convidou-nos para visitar o Seminário de Coimbra, uma Exposição – Caminho de Luz – Xilogravura – PAIXÃO – MORTE E RESSUREIÇÃO, do escultor Monsenhor Nunes Pereira. Esta Exposição começa precisamente com a Ressureição de Jesus Cristo, a Primeira Estação da Via- Sacra.
Os cristãos têm uma relação com a História, mas têm de meditar, ter um lugar na Ressureição do Divino Mestre, o pilar da nossa Fé. Todos os dias lutamos por dias melhores, mas há dias especiais. Há pessoas só viradas para os jogos da sorte e do azar, outras passam os dias a ver os diversos filmes, jogos de futebol, a ler as vírgulas e os pontos finais de jornais desportivos, dos escândalos de corrupções, de roubos de milhões, que acompanham a nossa sociedade, sem ninguém lhes por travão, embora a Comunidade Económica Europeia (C.E.E), já tenha alertada para esta nefasta situação, para este polvo, que filhos e netos irão pagar com língua de palmo.
Nós cristãos temos de ver, ler, meditar, as páginas do Evangelho. Quantas vezes admiraram uma pintura, uma escultura e não descobrimos a riqueza que contém. É necessário passarmos muitas vezes e não atingimos o seu significado. Olhamos para as cidades que percorremos e saímos sem as ver. Até nas nossas casas não sabemos o que se passa. Acontece a todos sem exceção. Temos realidades que não vemos, outras por conveniência esquecemo-las rapidamente.
Temos de viver a Quaresma do princípio ao fim. Há três instrumentos para a viver, – ORAÇÃO – JEJUM – ESMOLA.
Quando olhamos para um pobre, para um doente fragilizado, devemos ver Cristo. O Jejum é uma provocação à nossa autossuficiência, ao nosso consumismo. Quando passo por uma cidade, ainda meio adormecida, reparo em pessoas junto aos caixotes do lixo, à procura de restos de alimentos, e tantos a estragá-los. Vejo tantos a dormir debaixo de umas escadas, de uns lugarejos sombrios, embrulhados em cartões. Temos de aprender a dar valor a essas pessoas, muitas delas com culturas superiores à nossa, mas que a infelicidade lhes bateu à porta, quais Filhos Pródigos. Em Lisboa já conversei com alguns.
O Jejum é uma privação de alimentos, a redução de uma ou mais refeições e abrange os estratos etários dos 18 anos aos 59 anos. Estão dispensados os doentes. No passado fala-se muito no Jejum. Hoje fala-se pouco, quase nada. Na prática fica restrito a poucas pessoas. Hoje fazem dietas para ficar mais elegante, por estética e por um sem número de motivações. Quem faz Jejum era apelidado de antiquado, como algo descartável. Estamos bem instalados, deita-se alimentos para contentores, muito desperdício, não temos guerras, só as do futebol, da política, da corrupção que é abrangente a muitos setores da sociedade.
Em Coimbra estão a fazer um Estudo com robôs para cuidarem dos Idosos. Onde colocam os afetos, os sentimentos as humanidades? Não são verdadeiros e temos de ganhar as pessoas.
Onde está a ética? Sempre nós e nós, sempre a satisfazer as nossas comodidades! E os idosos, os fragilizados, os que passam fome e sede, os abandonados e solitários?
O Papa Francisco, apela-nos para fazermos experiências de Jejum e Abstinência, para os que sofrem, para os excluídos, nos que passam fome e sede, dos despojados de guerras fratricidas, dos que não tem trabalho.
Em vez de comermos três ou quatro refeições, comamos uma, não estraguemos os alimentos, porque à nossa beira há quem precise deles. A Abstinência não é comer carne, até porque há quem goste mais de peixe. Antigamente as nossas Mães nos dias especiais e de Festa, coziam alguma carne, porque não abundava. Façamos Jejum e Abstinência a pensar nos mais necessitados, e aquilo que não gastamos deve ser dado aos pobres e a Instituições de Caridade.
Visitar um doente, um recluso, dar roupas e alimentos que não precisamos, uns conselhos oportunos, consolar um aflito, conversar com pessoas debilitadas. Tanto para concretizar na Quaresma e em todos os dias do Ano.
Há uma visita diária que vem ver um familiar doente que distribui afetos por todos, dá conselhos, a sua mão direita não sabe o que faz a esquerda, consola, apoia gentes despedaçadas, e ao fim-de-semana, ainda faz mais de trezentos quilómetros, para dar Catequese, na sua Comunidade Paroquial. Um grande exemplo como se deve viver a Quaresma.
Os Momentos de Reflexão terminaram com a Exposição do Santíssimo, umas Orações e a Reconciliação nesta Comunidade.
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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