Megalópoles (1)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A crónica da semana passada do António Emídio sobre o tema em título – Megalópoles – obriga-me a uma reflexão mais longa do que um simples comentário.

Megalópoles são regiões de intenso desenvolvimento urbano - Capeia Arraiana

Megalópoles são regiões de intenso desenvolvimento urbano

A fixação de gente nas grandes cidades é uma tendência a nível mundial, como muito bem diz o António e, restam poucas dúvidas que essa tendência não terá retorno.
Mas, e como muito bem diz, essa tendência em Portugal torna mais agudo o processo de abandono do, assim chamado, interior, logo, do Sabugal.
Mas gostava de colocar as questões num outro patamar, a saber.
Os fluxos migratórios a que se assistiu, com mais violência, a partir de meados do século passado, tinham como destino essencial os países mais ricos do Centro e Norte da Europa, que necessitavam com urgência de mão de obra desqualificada e a custo baixo para a recuperação desses países acabados de sair da segunda guerra mundial.
A esse fluxo que, se pode dizer, massivo e que deu a primeira e mais gravosa sangria na população do interior e do nosso concelho, seguiu-se, sobretudo a partir da década de setenta, associado muitas vezes à capacidade que as famílias começaram a ter de mandar os filhos para a Universidade e ao maior desenvolvimento económico do litoral, novos fluxos migratórios, agora no interior do País e tendo, quase sempre, como destino principal a região de Lisboa.

Mas existe mais recentemente um novo tipo de migração, esta no seio do próprio interior, e duas dimensões:
(i) por um lado, a saída das aldeias de menor dimensão para a sede do Concelho, ou para núcleos urbanos de maior dimensão. Veja-se o nosso Concelho onde em 2001 Sabugal e o Soito tinham 24,2% da população do Concelho, valor que sobe em 2011 para 25,3% (valores que ainda serão maiores, pois parte da cidade do Sabugal é contabilizada em Aldeia de Sto. António).
(ii) A este processo, acresce um outro fenómeno que é a atração crescente que as cidades maiores (Guarda, Covilhã e Castelo Branco) assumem para as populações de concelhos como o do Sabugal. Na verdade, e se entre 2001 e 2011, a Guarda perde 2,9% da sua população e a Covilhã 5%, e Castelo Branco sobe 0,7%, neste mesmo período o Sabugal perde 15,6% da sua população!

Na próxima semana concluirei este meu comentário alargado ao texto do António Emídio.

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ps1. Como deputado municipal tive a oportunidade de tomar conhecimento com o projeto de Infraestruturas de lazer na envolvente à barragem do Sabugal. O meu estado de saúde impediu-me de levantar algumas questões em relação a um projeto que considero, no geral, muito bom. Numa próxima semana direi aquilo que se me oferece dizer, mas considero que, para que todos o conheçam, este projeto deveria estar disponível na página do Município.

ps2. Sábado, dia 10, serão as eleições para os Corpos Sociais da Casa do Concelho do Sabugal. Espero que os sócios compreendam a importância deste ato e se desloquem à Casa para votar.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

2 Responses to Megalópoles (1)

  1. António Emídio diz:

    Caro Ramiro :

    Sem dúvida alguma que foi a recuperação dos países europeus envolvidos na II Guerra mundial que originou a partida de muitos jovens ( digo jovens porque os mais velhos não emigram ) do nosso Concelho para esses mesmos países, mas também foi a partir de finais dos anos 50 e principio dos 60 que Portugal começa a ter um certo, e débil desenvolvimento, o que faz com que a agricultura deixe de ser, como o ditador Salazar desejava, mas que se viu ultrapassado pela História, o motor principal da riqueza e desenvolvimento de Portugal, a tal Fisiocracia de que ele tanto falava. Antes da partida para a Europa, já do Alentejo tinha partido gente para a periferia de Lisboa, onde começava a nascer uma pequena e frágil indústria. Conjugam-se estes dos factores para o despovoamento do interior de Portugal, digo Portugal porque do Norte do País também partiram milhares para a Europa.
    Quanto ao resto do Mundo, está mais claro do que a cristalina água, que as grandes migrações se deram toda a vida dos sítios mais pobres para os mais ricos.

  2. João Manuel Aristides Duarte diz:

    O concelho do Sabugal perdeu , só nos anos 60, mais de 60% da sua população. Claro que , agora, que tudo tem a mania que é rico, já ninguém se lembra porque emigraram. Se calhar foram passar férias. Acho estranhíssimo que quase ninguém queira falar nisto e nas perseguições a que esses emigrantes (a esmagadora maioria clandestinos, a salto) por parte da PIDE, hoje considerada por muitos uma organização benemérita. Assim tem sido apresentada, recentemente, em órgãos de comunicação do nosso concelho.

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