O exemplo de Penela (1)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

O concelho de Penela apostou na Inovação, na Competitividade e no Empreendedorismo para inverter o declínio populacional e económico dos últimos anos.

Presépio animado de Penela ocupa uma área de 700 metros quadrados com 150 figuras em madeira - Ramiro Matos - Capeia Arraiana

Presépio animado de Penela ocupa uma área de 700 metros quadrados com 150 figuras em madeira

Penela é um pequeno concelho com uma área seis vezes inferior à do Sabugal e com uma população que passou dos 8023 habitantes em 1981 para, somente, 5.556 em 2016.
E esta evolução tão negativa, acontece apesar de Penela se encontrar a pouco mais de 5Km da A13, a 30 Km de Coimbra, 130Km do Porto e 180Km de Lisboa.

Face a esta realidade o Município de Penela apostou forte nas questões da inovação, da competitividade e do empreendedorismo, começando por, em 2006, aprovar o Programa Diretor de Inovação, Competitividade e Empreendedorismo (PD-ICE), com as seguintes apostas estratégicas:
(i) Dinamizar a base económica local, promovendo a cooperação e as parcerias entre agentes de desenvolvimento, considerando como sectores estratégicos e prioritários as indústrias associadas aos produtos endógenos (Agro-alimentar, Farmácia, Medicina, Cosmética, Nutrição), o Turismo, a Exploração Florestal e as Energias Alternativas;
(ii) Consolidar novos fatores competitivos centrados na educação e formação, criando uma cultura ICE, considerando as prioridades de abrir a “escola” ao meio envolvente, fomentar o fluxo de informação sobre as novas necessidades do tecido empresarial e as novas tecnologias de acesso à informação e fomentar a cooperação institucional; e,
(iii) Valorizar o território como suporte do desenvolvimento.

Mas então em que se concretizaram estes objetivos?
1 – Habitat de Inovação Empresarial nos Sectores Estratégicos – HIESE – uma incubadora focada na inovação rural que funciona como um núcleo de apoio ao empreendedorismo nos sectores estratégicos, privilegiando sobretudo a valorização de produtos endógenos ou derivados.
2 – smARTES – um núcleo de apoio ao empreendedorismo na área das indústrias criativas, oferecendo condições de excelência no apoio de base às empresas na área das indústrias criativas, de forma a reforçar a sua capacidade de inovação, crescimento e competitividade.
3 – Minihabitat – um projeto direcionado para a criação de condições para a realização de investimentos e apostas empresariais que permitam gerar um território mais competitivo, assentes na interação entre o meio empresarial e as instituições de ensino, nomeadamente da Escola Tecnológica e Profissional de Sicó, com vista a usufruir das vantagens, sinergias e complementaridade que daí decorrem.
4 – FabLab Penela – um laboratório de fabrico digital e que permite a criação de novos produtos, propriedade intelectual e negócios. Criar o Centro de Apoio ao Investimento e ao Empreendedorismo.
Claro que estas apostas não têm impacto imediato, antes criando condições para a médio prazo inverter a atual situação do concelho de Penela.

Não defendo, nunca defendi, que o Concelho do Sabugal imite as ideias de outros concelhos, até porque as realidades territoriais são distintas.
Tentarei, no entanto, na próxima semana, analisar, de novo, a realidade concelhia, mostrando que há caminhos a percorrer.

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ps. Seria indelicado da minha parte divulgar os candidatos aos Órgãos Sociais da Casa do Concelho do Sabugal antes do Presidente da Assembleia Geral a apresentar aos sócios e amigos da Casa. Mas no momento em que escrevo esta crónica, e pelo que sei, a solução em cima da mesa, como, espero, se verá quando a mesma for tornada pública, é, quanto a mim, a garantia de que a Casa vai continuar e reforçar as suas atividades em prol dos seus associados e do Concelho do Sabugal. Isto se não houver jogadas de bancada às quais serei completamente alheio…

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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