Os bens das igrejas de Aldeia de Santo António

:: :: ALDEIA DE SANTO ANTÓNIO :: :: O arrolamento dos bens das igrejas e capelas da freguesia de «Aldeia de Santo António ou Urgueira» (como titula o documento), no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 31 de Julho de 1911, tendo sido um dos primeiros, pois a lei que obrigou a esse inventário datava de abril desse mesmo ano. Curiosamente em 1932 foi lavrado um auto de inventário adicional para incluir a capela da Senhora da Graça. Transcrevemos, na íntegra, os documentos existentes no respectivo processo.

Capela da Senhora do Pilar - Urgueira - Aldeia de Santo António - Capeia Arraiana

Capela da Senhora do Pilar – Urgueira – Aldeia de Santo António – Capeia Arraiana

Inventário dos bens mobiliários e imobiliários da freguesia supra, organizado em virtude do Decreto de 20 de abril de 1911.
Aos trinta e um de Julho de mil novecentos e onze, nesta paroquial igreja de Aldeia de Santo António, orago de Santo António, sendo presentes o presidente da Câmara, o enviado do Administrador deste concelho – José Casimiro da Costa Quintela, o aspirante das Finanças no impedimento do secretário das Finanças – Manuel José Gonçalves Coelho, o presidente da Comissão Paroquial – Manuel Gonçalves Inácio, bem como o pároco desta freguesia, padre José Martins Janela, procedam ao inventário dos bens mobiliários e imobiliários desta freguesia, na conformidade do Decreto de 20 de Abril último, pela forma seguinte:

Edifício
Igreja paroquial, orago de Santo António, situada ao centro da povoação, composta do corpo principal e sacristia. Tem um altar mor e dois laterais, um campanário com um sino de tamanho regular.

Imagens:
Santo António – N. Senhora do Rosário – Coração de Maria – N. Senhora de Lourdes – Coração de Jesus – S. José – N. Senhora da Conceição – Menino Jesus.

Objectos destinados ao culto:
Um terno completo, branco, novo.
Duas casulas brancas, com estola e manípulo, em bom uso.
Uma casula verde, usada.
Uma casula preta, em bom uso.
Duas casulas roxas, em mau estado.
Uma casula vermelha, em bom uso.
Duas capas de asperges, uma branca e outra roxa, em bom uso.
Uma capa de asperges, branca e vermelha, em bom uso.
Um pálio, branco e amarelo, usado.
Um pálio, branco e encarnado, usado.
Duas dalmáticas, brancas e amarelas, em bom uso.
Duas alvas usadas.
Duas sobrepelizes, usadas.
Uma estola paroquial, em bom uso.
Cinco bolsas de corporais, de várias cores, em bom e mau estado.
Dois véus de ombros, um novo e outro usado.
Três estandartes, dois vermelhos e um amarelo, em bom e mau estado.
Quinze opas da confraria, em mau estado.
Seis toalhas de altar, usadas.
Dois guarda-pós, usados.
Dezassete sanguinhos, em bom uso.
Dois purificadores de linho, usados.
Quatro panos para comunhão, usados.
Quatro mesas de corporais, em bom estado.
Uma porção de damasco branco.
Uma custódia de prata, em bom estado.
Dois cálices, um novo e outro velho.
Um turíbulo, em bom estado.
Três lâmpadas, em bom estado.
Uma campainha, nova.
Uma ambula, completa.
Uma banqueta de madeira, usada.
Uma banqueta de chumbo.
Quatro castiçais, dois de metal amarelo e dois de chumbo.
Dois crucifixos de madeira, em bom estado.
Um vaso sacramental.
Um relicário, em mau estado.
Duas cadeiras paroquiais, uma em bom estado e outra em mau estado.
Dois bancos grandes, em bom estado.
Uma cómoda para guarda de paramentos.
Um caixão para guarda de paramentos.
Uma arca grande.
Uma arca pequena.
Três caixas para esmolas.
Uma caixa para bulas.
Uma caixa para arquivo.
Dois missais, um em bom, outro em mau estado.
Dois rituais.
Doze varas para o pálio.
Oito lanternas, em bom estado.
Quatro toalhas para altar, usadas.
Quatro opas, em mau estado.
Quatro guarda-pós, usados.
Uma colcha de chita, usada.
Uma cobertura para andor, usada.
Um cortinado de renda, usado.
Uma cortina encarnada.
Diferentes fitas e enfeites para andores.
Uma arca para guarda de enfeites.

Inscrições pertencentes à Confraria do Santíssimo, não erecta, e a cargo da Junta de Paróquia:
Urna no valor nominal de 100.000 reis, com o número 138060.
Dois certificados no valor de 50.000 reis cada um, com os números 9000 e 9055.

Imobiliários pertencentes à mesma Confraria do Santíssimo:
Um souto de castanheiros, no sítio da Fonte dos Porteiros, limite de Aldeia de Santo António, confina ao nascente e sul com prédios dos herdeiros de Alexandre José Nunes da Cunha, ao norte com Francisco Sapinho, e ao poente com Maria Fonseca.
Um lameiro, no sítio do “Portinho”, no mesmo limite, confronta a nascente e sul com herdeiros de João Candeias, ao norte e poente com José Teixeira.
Um chão e lameiro, no sítio da “Macieira”, limite dito, confina ao nascente com José Martins, ao poente com cominho público, ao sul com António Vinhas, ao norte com José Teixeira. Este prédio está na posse de António Mendes, casado, proprietário da Urgueira, doado a este por testamento de Ana Gomes, solteira, da Urgueira, em data de 12 de Janeiro de 1880, com obrigação de pagar à Confraria do Santíssimo a pensão anual de 3.000 reis, com vencimento em 24 de Agosto de cada ano.
Um chão, no sítio do fundo do povo, na Urgueira, confina ao nascente com Isidro da Fonseca, poente com caminho público, norte com Manuel Janela, sul com Augusto Sapinho.
Uma terra, no sítio do Moinho Queimado, no mesmo limite, cujas confrontações, por bastante concluído, desnecessário mencionar.

Povoação da Urgueira, anexa de Aldeia de Santo António
Edifício:
Capela, situada no largo da povoação. Consiste no corpo principal e sacristia, um campanário com dois sinos pequenos.

Imagens:
Nossa Senhora do Pilar – Nossa Senhora das Dores – Santo Cristo.

Objectos destinados ao culto:
Uma casula branca, em bom estado.
Uma casula encarnada, em mau uso.
Uma casula branca, velha.
Uma casula roxa, velha.
Duas dalmáticas pretas, usadas.
Duas alvas, usadas.
Três guarda-pós de altar, usados.
Seis purificadores, em bom uso.
Dez sanguinhos, em bom uso.
Uma sobrepeliz, em bom uso.
Uma colcha de chita encarnada.
Três mesas de corporais.
Seis opas usadas.
Dois estandartes, em mau estado.
Uma banqueta de madeira, nova.
Uma banqueta de madeira, velha.
Quatro castiçais de vidro.
Cinco castiçais de metal.
Cinquenta floreiras, grandes e pequenas.
Seis lanternas, em mau estado.
Uma caldeirinha.
Uma campainha.
Seis arcas de madeira.
Uma mesa com duas gavetas.
Cinco véus de cálice, de várias cores.
Um cálice.
E não havendo mais bens a inventariar, se conclui este auto, que vai ser devidamente assinado, ficando o mesmo a cargo do presidente da Comissão Paroquial.

Existe no processo um inventário adicional, de 1932:

Aos vinte e um dias do mês de Julho do ano de mil novecentos e trinta e dois, no lugar de Reguengo, freguesia de Aldeia de Santo António, concelho do Sabugal, da área do julgado de paz de Aldeia de Santo António, compareceram os cidadãos Joaquim Fernando da Costa Tavares, juiz de paz do julgado de Aldeia de Santo António, e Joaquim Gomes, escrivão do respectivo julgado, para procederem ao arrolamento dos bens abaixo relacionados, em harmonia com o disposto na portaria número sete mil cento e trinta, de dezanove de junho de mil novecentos e trinta e um, a requisição da Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais, como consta no seu ofício expedido pelo processo número 14.910, livro 14, folhas 464, de vinte e um de Julho, digo de sete julho, de 1932.
Relação de bens arrolados:
Uma pequena igreja ou capela, com sacristia e coro, no Reguengo, conhecida pela da Senhora da Graça.
Um pedaço de terreno contíguo, ou seja, o adro da mesma capela.
Uma casa conhecida pela sala da Hospedaria, onde há uma mesa de castanho e bancos, contígua à capela e terreno antecedentes.
Uma casa, a do ermitão, contígua à antecedente, com telheiro adjacente.
Uma casa em ruina, quintais e um lameiro, tudo contíguo aos bens antecedentes.
Um chão regadio, conhecido pelo da Senhora da Graça, próximo da capela.
Estes bens são bem conhecidos, não se confrontam, tendo em vista a dificuldade que há em se identificarem os proprietários confinantes. Acresce a circunstância de, sobre estes bens, se arrogar o domínio e a posse, não sabemos a que título, a Câmara Municipal do Concelho do Sabugal.
Dentro da capela, há as imagens seguintes:
A da Senhora da Graça – a de São José – e a de São Francisco, todas em madeira e em bom estado de conservação.
Auto de encerramento.
Aos vinte e um dias do mês de Julho de mil novecentos e trinta e dois se conclui o presente arrolamento, em inventário adicional, de bens cultuais na freguesa de Aldeia de Santo António, do julgado de paz de Aldeia de Santo António, sendo um exemplar remetido à Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais e o outro arquivado na secretaria da Câmara Municipal do Sabugal.

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

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«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

3 Responses to Os bens das igrejas de Aldeia de Santo António

  1. Tenho vindo a acompanhar essas publicações sobre os bens da igreja de algumas freguesias. Também há lá alguma coisa dos Fóios?

  2. Romeu Bispo diz:

    Gostei de ler. O que a história nos reserva…
    Toda a gente sabe que ainda ninguém fez a história do Sabugal e do Concelho, mas estamos perante um fato (facto) curioso que merece alguma investigação.
    O que mais me causa perplexidade é o fato do secretário escrever “Acresce a circunstância de, sobre estes bens, se arrogar o domínio e a posse, não sabemos a que título, a Câmara Municipal do Concelho do Sabugal.” A memória era curta ou a ignorância ainda maior porque só teriam passado 21 anos sobre decisões bastante polémicas.
    Alguma vozes referem o vigor com que a República chegou ao Sabugal e quais as consequências. Teria sido em 1911 que a Igreja de Sta Maria foi demolida para fins culturais…
    A imagem da Sra. da Graça referida no inventário não é senão a imagem da Sra. do Castelo que a Câmara transferiu para a Capela da Sra. da Graça quando da demolição da referida igreja e onde ainda hoje se mantém.
    Estou curioso para ler algumas novidades referentes ao Inventário da freguesia do Sabugal.

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