Nero e o incêndio de Roma

Uma das lendas mais conhecidas sobre o Império Romano é a que dá o imperador Nero como incendiário de Roma para satisfazer os seus desejos de erguer uma nova e resplandecente cidade, culpando porém os cristãos do sinistro que se abateu sobre a capital do império. Mas terá sido mesmo Nero o autor do incêndio?

Nero tocava lira enquanto Roma ardia

A verdade é que nunca foi encontrado qualquer documento histórico que responsabilize directamente Nero pelo cataclismo. E muito menos que enquanto olhava em deleite para as chamas o imperador tocasse lira.
Tácito escreveu, alguns anos após a combustão de Roma, que nesse dia Nero se encontrava a 80 quilómetros da cidade, na sua vila de Antium. Também referiu que, longe de se regozijar com a catástrofe, Nero correu para a sua capital e deu ordens enérgicas para que se tentassem dominar as chamas.
Isso contudo não nega a vida deplorável que esse imperador romano seguia. Chegado ao poder com apenas 17 anos, pela mão de sua mãe, Agripina, Nero foi desde logo odiado pelo povo romano por ter usurpado o trono do seu irmão Britânico.
A sua vida palaciana foi um escândalo permanente. Convocava os cidadãos para assistirem às representações das medíocres peças e óperas que ele mesmo compunha. À falta de talento juntava a falta de voz, o que eram motivos para se expor ao ridículo.
Foi também lendária a sua crueldade para com os cristãos, que perseguia sem dó nem piedade. Tomava os seguidores de Cristo como uma perigosa seita que se dedicava à feitiçaria, pelo que não hesitou em os apontar como autores do incêndio que destruiu Roma, tendo mandado executar centenas de suspeitos. Há relatos que terá lançado os cristãos aos leões, mas também aqui não há provas históricas que o confirmem.
A crueldade e a perversidade de Nero levariam a que a própria guarda pretoriana o abandonasse. Temendo ser executado acabaria por se suicidar no ano 68 d. C.
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(por Paulo Leitão Batista)

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