Johnny! Johnny! Johnny!

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Johnny! Johnny! Johnny! – Assim gritavam os fãs de Johnny Hallyday nos seus concertos. Johnny Hallyday, de nome verdadeiro Jean Phillipe Léo Smet, foi o «Pai» do Rock and Roll francês. Deixou-nos a 5 de Dezembro de 2017 com 74 anos de idade, mais de 50 de carreira, 400 tournées, actuou diante de um total de 15 milhões de pessoas e vendeu mais de 100 milhões de discos.

Johnny Hallyday foi o «Pai» do Rock and Roll francês - António Emídio - Capeia Arraiana

Johnny Hallyday foi o «Pai» do Rock and Roll francês

Não vou entrar na biografia de Johnny hallyday, nem na sua vida artística, para isso há revistas especializadas, quero escrever simplesmente o que ele significou para alguns jovens, filhos de emigrantes, e não só, na nossa então Vila do Sabugal e, no tempo do Estado Novo! Também do seu concerto em 1961 no cinema Monumental em Lisboa.
Foi-me «apresentado» este Rocker por um filho de um emigrante que vivia em França, através de alguns dos seus discos, entre eles – Que je t’aime, Mon fils, e Jésus-Christ est un hippie, esta última canção era de uma irreverência tremenda para o tempo! Aqui fica um pouco da letra:

(..) Poncho mexicain sur le dos
Autour de son front un bandeau
IL est barbu et chevelu
IL s’est battu à Chicago
IL aime les filles aux seins nus
IL est né à San Francisco

Ao Sabugal chegou pelas mãos de um emigrante, seria impensável este disco passar pelos censores do Estado Novo, e eles darem a autorização para circular!! O Estado Novo também foi uma ditadura religiosa. E, ao som da canção Que je t’aime, fizeram-se muitas malandrices e juras de amor eterno… Até que, a música Anglo-Saxónica se sobrepôs a qualquer outra.
Recuemos até 1961 e vamos até ao cinema Monumental a Lisboa. Johnny Hallyday então com 18 anos de idade, deu um espectáculo inolvidável, mas a crítica (Sistema) não gostou e, até um psicanalista foi consultado para explicar toda aquela «loucura», e como sempre, a culpa foi dos pais dos jovens, mas em 1961 e pelas fotos do concerto, só lá estariam os filhos dos senhores do Regime e seus acólitos. O jornalista que fez o artigo meteu logo os pés pelas mãos dizendo que «Johnny Hallyday veio a Lisboa cantar o Twist». (?!?) Mas o Twist não se canta, dança-se! Continua o jornalista dizendo que em Lisboa, e durante o concerto nada foi partido (cadeiras), como em Paris, Londres e Estocolmo, e tudo graças aos agentes da PSP. Continua o jornalista dizendo que até os mais velhos (o jornalista diz idosos) se deixaram contagiar moderadamente pela música. Agora vejamos esta: «Andam de boca em boca muitos números referentes à quantidade de agentes da PSP que apareceram no Monumental (…) a sua presença talvez tenha metido respeito. A juventude descarregou gritando, dançando, regozijando de mãos dadas. O tal sentido de comuna de que nos falam». O que é que a palavra Comuna está aqui a fazer? Não é preciso pensar muito!!!
Adeus Johnny, estas palavras são uma recordação de um fã teu que acredita que estás no Olimpo na companhia de Elvis, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, George Harrison, Zé Pedro e John Lennon. A este último já perdoaste o que ele disse do Rock francês? Querido leitor(a), um dia, Lennon disse que «o Rock francês era idêntico ao vinho inglês!»

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

One Response to Johnny! Johnny! Johnny!

  1. João Manuel Aristides Duarte diz:

    Até a canção “Je T’aime Moi Non Plus” foi proibida em Portugal, nesses tempos tenebrosos que ainda têm muitos defensores.

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