O Pão-Leve

Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Era costume dar como prenda um pão-leve a quem casasse, ao médico ou a pessoa a quem se devia grande favor, já que os custos com ovos, farinha e açúcar eram insuportáveis para gente tão pobre para o poder ter frequentemente à mesa.

Pão-Leve ou Pão-de-Ló - Capeia Arraiana

Pão-Leve ou Pão-de-Ló

A Francisca fez um pão-leve para dar de presente a alguém das suas amizades ou ao médico. Colocou-o no telhado da casa térrea onde vivia, ao Fundo, a zona mais pobre da aldeia.
O marido era pastor, passando, por vezes, dias sem vir a casa. Ao chegar a casa, viu-o e atiçou-se-lhe o apetite. Não estando habituado a tal iguaria, com receio que fosse algo que pudesse conter veneno, deu um pouco ao Tejo, seu cão de guarda do gado. O Tejo comeu-o sem que tivesse tido algum problema. Atira-se o Balhé Tchebé ao bolo e num ai, que é feito do bolo?!
Vem a mulher e não vê o pão-leve no telhado. Pergunta ao marido por ele e este responde-lhe:
– Ai Facisca! Era tão bô! Dei um bocadinho ó Tejo, o Tejo no m’rreu, comi-o eu!
– Ah! ladrão! Que era pa dar ó sô détor!
Fai mai, Facisca, fai mai! – responde-lhe o marido.

Notas:
Balhé -Manuel.
Détor -médico.
Facisca -Francisca.
Fai -faz.
Mai -mais.
M’rreu -morreu.
Ó -ao.
Pa -para.
Pão-leve -pão de ló.
-senhor.

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«Lembrando o que é nosso», por Franklim Costa Braga

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