Os cínicos

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Não, querido leitor(a), não são esses, quem perde tempo com eles? Estes cínicos são filósofos de uma escola grega surgida no século IV antes de Cristo. Eram uma espécie de Anarquistas, o seu «Secretário Geral» foi Antistenes, que um dia, ironicamente aconselhou os seus conterrâneos a converter os burros em cavalos através de uma votação!…

Os Cínicos - António Emídio - Capeia Arraiana

Os Cínicos

Os seus fundadores foram discípulos de Sócrates e tinham duas características comuns: orientação ética e recurso frequente à dialéctica socrática – ironia. Antistenes gozava com as instituições politicas do seu tempo, combateu o politeísmo e o culto aos deuses, dizendo que tudo isso era superstição. O expoente máximo da filosofia cínica não é Antistenes, mas sim Diógenes. O que é o síndrome de Diógenes? Expressão ainda hoje usada na medicina? É a tendência de algumas pessoas levarem para casa toda a espécie de lixo que encontram na rua. Com toda a certeza, esta expressão vem deste cínico, porque ele vivia, no seu tempo, coberto de farrapos sujos, não tinha lugar fixo para viver, alimentava-se de pão e raízes, também não tinha família e, pior ainda! Defecava e masturbava-se em público… Mas era um escritor profícuo, escrevia sobre o fim das desigualdades sociais, das nacionalidades, e da propriedade privada. Condenou também os ritos religiosos, os sacrifícios de pessoas e animais, e as profecias.
Esta escola filosófica cínica, à primeira vista leva-nos a pensar que não serviu para nada, pois os seus seguidores eram uma espécie de – Hippies – e anarquistas da época, mas estamos enganados! A eles se deve o superar de barreiras entre os gregos e os outros povos apelidados de «bárbaros», tentaram igualar em direitos os cidadãos livres e os escravos, lutaram contra os problemas étnicos, condenaram a escravidão, engrandeceram o trabalho, fomentaram a espiritualidade e reivindicaram o «natural» como o mais humano.
Em todas as sociedades, os que menos as fazem progredir humana, ética, cultural e socialmente são as elites económicas instaladas, que se limitam única e simplesmente a corromper tudo e todos, já vem assim de há milhares de anos!

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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