Na audiência

Apresentamos alguns diálogos singulares ocorridos em audiências judiciais, mormente entre o juiz e os arguidos apresentados a julgamento.

Audiência judicial

Poupar trabalho
O acusado está no banco dos réus e o julgamento prestes a começar.
Entram na audiência o juiz e o delgado do Ministério Público e todos se levantam. Chegado ao seu lugar, o meritíssimo senta-se, declara aberta a sessão, e todos recuperam o lugar de sentados.
Então o Juiz fixa os olhos do arguido e diz-lhe determinado:
– Se confessar imediatamente, teremos poupado muito trabalho.
O arguido sorri e, depois, com ar zombeteiro, diz:
– Já vejo que o Senhor Dr Juiz é como eu: o trabalho não quer nada connosco.

Letra à vista
O juiz está perante um arguido que é cego. Nada incomodado com isso diz-lhe:
– Confessa ter recebido a soma que o autor da acção reclama?
– Sim, Senhor Juiz.
– Então se assim foi, por que razão se recusou a pagar a letra?
– Porque a letra era à vista.
– E isso era problema?
– Sim, Senhor Juiz, é que eu sou completamente cego.

Tal filho tais pais
Diz o juiz para o réu, que era um ladrão inveterado:
– Quando rouba, nunca pensa nos seus pobres pais?
– Não, Senhor Juiz, porque eles também nunca dividem comigo quando roubam.

A cadeira partida
Diz o juiz para o réu:
– O senhor está aqui acusado de ter partido uma cadeira na cabeça do queixoso. Confirma os factos?
– Sim, senhor Juiz, mas garanto-lhe que eu não peguei na cadeira com a intenção de a partir. Eu só queria partir a cabeça a quem me injuriou.

Fazer luz
Na audiência o juiz interroga o agente de autoridade que encontrou a vítima e que elaborou o auto de notícia:
– Senhor Guarda, encontrou alguma coisa que faça luz sobre este crime?
– Sim, Senhor Dr Juiz, num dos bolsos da vítima encontrei uma lanterna eléctrica.

Uma questão de educação
Diz o juiz ao arguido:
– O senhor é acusado de ter entrado na casa do queixoso, depois de lhe ter batido.
– Senhor juiz – respondeu o acusado – isso não foi senão um excesso de boa educação. Minha mãe ensinou-me a nunca entrar em casa alguma antes de bater.
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(por Paulo Leitão Batista)

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