Captar imigrantes empreendedores

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

A realização das Web Summits em Portugal e a aposta constante no empreendedorismo, criaram condições para o acolhimento da inovação trazida pelas pequenas empresas emergentes de base tecnológica (startups), o que dá uma oportunidade ao interior do país.

Programa Startup Visa – uma oportunidade para o país

As startups transportam novas ideias, nomeadamente ao nível dos modelos de negócio, promovendo o aparecimento de microempresas, potenciando o crescimento inteligente, inclusivo, sustentável e indutor de um novo perfil de especialização e internacionalização da economia.
Por aí pode também crescer o investimento estrangeiro em Portugal, nomeadamente em regiões ou cidades que apostem no empreendedorismo e na investigação. O interior do país tem aqui uma palavra a dizer, pois poderá oferecer condições aos jovens empreendedores que a massificação citadina lhes nega.
Já existem muitas startups portuguesas com excelentes desempenhos, mas a estas poder-se-ão juntar startups estrangeiras, constituídas por jovens investidores que se empenham na inovação e aceitam ir desenvolver os seus projectos onde os acolham. Essa perspectiva ditou a criação do «Startup Visa», que é um programa de acolhimento de estrangeiros que optem por inovar em Portugal. Para tanto alterou-se a Lei de Estrangeiros que prevê a atribuição de visto consular para imigrantes que desenvolvam projectos empreendedores, incluindo a criação de empresas de base inovadora.
Ora, para captar jovens empreendedores vindos do estrangeiro é necessário que cada município nisso interessado reúna as condições prévias. Para além de programas de apoio ao empreendedorismo é necessário que exista uma incubadora certificada pelo IAPMEI, ou seja, uma entidade responsável pelo apoio aos negócios no período de arranque dos projectos. Essas incubadoras terão que oferecer variados serviços, como espaços devidamente equipados, apoio administrativo, servindo de interface com instituições de pesquisa e investigação e com os mercados emergentes.
O Sabugal teria aqui uma oportunidade de ouro se não tivesse andado a brincar ao empreendedorismo. Lançou um programa em que formou jovens, mas não soube acompanhá-los no desenvolvimento dos seus projectos, nem criou as condições para tal. Não temos cultura empreendedora e não existe incubadora certificada no nosso concelho. Isso significa que não estamos entre os concelhos do interior capazes de tirar imediato partido da aposta que o país faz na inovação e na captação de investimento de base tecnológica.
Mais uma oportunidade perdida.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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