A idade do efémero

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Ultrapassadas que foram as referências ou tempo:

As voltas da vida – pormenor de um quadro de Alcínio

De “Deus”
Da razão
Das ideologias.
Veio por fim a modernidade com a espectativa do surgimento dum estádio superior…
Porém caímos no vazio,
Apesar das novas tecnologias
Da substituição do analógico pelo digital
Da informática
Da robótica
Da ciência
Da investigação e inovação
A globalização da economia e do conhecimento, etc.
O digital com a codificação em linguagem binaria
A informação em rede.
Estas alterações com bidirecionalidade vencem a distância a velocidade e fiabilidade da informação.
A apropriação social pela linguagem da internet.
Estamos na Era da informação e consequentemente mundialização e miscigenação de culturas e saberes.
Tudo isto não impediu o ressurgimento de novos fanatismos ou extremismos religiosos,
Novas oligarquias e ditaduras
Com muitos políticos carreiristas, políticos sem experiência profissional ou de vida
Com mitos e ídolos com pés de barro.
O homem continua consumista, sem tempo para a reflexão, como se a vida durasse uma eternidade.
Mediatização da vida humana com a consequente alienação com programas do agrado das grandes massas populares.
Estamos no tempo dos média da informação ou desinformação, onde desfilam os mediáticos ou galácticos.
A avalanche da informação torna impraticável a sua selecção e fiabilidade.
É um desfilar dos eruditos da oratória da retórica dos que ensinam a fazer o que desconhecem, que derramam saber sobre esta massa acéfala do auditório televisivo.
Recorrem á imagem
Às influências
À popularidade
Ao exercício da emoção sobre a razão
Da confusão entre o real e o virtual, dos jogos bolsistas, da hipocrisia, dos desonestos, dos sem caráter, dos oportunistas, é o tempo da desconfiança.
A futilidade das suas preocupações com o mundo das aparências.
A leviandade com que trata a biodiversidade e a preservação da sua própria espécie.
A contemporaneidade ficará marcada pelo avanço da ciência e tecnologia, quanto às artes não restará uma obra de referência para a posteridade.
Sobrará uma confusão e mistura de banalidade de caracter intelectual, de abstração, de maneirismo, provocação, cavalgando a onda da moda da vanguarda, oca e fútil.
A imagem eletromagnética torna desnecessária e banal o mimetismo.
Os criativos são obrigados a procurar novas metodologias, novos suportes, aumento das escalas e simbiose de linguagens de comunicação visual
Porque não encontrou um caminho entre o figurativo realista e o abstracionismo.
Refrão, na palma da mão, na palma da mão, na palma da mão…
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«Vivências a cor», de Alcínio

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