O Cristão

Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Apesar de ser natural do Soito, viveu em Quadrazais muitos anos, ocupando-se do amanho de terras de quadrazenhos com as suas vacas. Um filho, já falecido, casou com uma quadrazenha, cujo pai tinha a alcunha de Maneta.

Lamparinas a petróleo das aldeias da Beira Alta - Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Lamparinas a petróleo das aldeias da Beira Alta

Certo dia, como de costume, vai o Cristão à taberna do Candajo. Ao encarar com o compadre na taberna, diz-lhe de chofre:
– Cumpadre, vós deveis ser muto ricos!
– Porquê, pergunta-lhe o compadre?
– Atão, cada vez que se deita fora alguma coisa, todos dizem: «Lá vai p’ó Maneta!»

Os presentes riram a bom rir. Só o compadre, que não gostava da alcunha, é que engoliu em seco.
Este Cristão tivera um dia um pequeno problema no traseiro, com algo que lhe mordia. Pede à mulher que lhe veja o traseiro.
Estava a mulher debruçada com uma candeia na mão a perscrutar as nalgas do marido quando este dá um traque e lhe apaga a candeia.
– Agora, vê tu o que te morde!

Notas:
Atão -então.
Candajo -alcunha em que o j se lê à espanhola.
Cumpadre -compadre.
Muto -muito.
Nalga -nádega.
P’ó -para o.

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«Lembrando o que é nosso», por Franklim Costa Braga

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