Sempre às ordens

Certa noite, num café de Paris, no tempo em que a Cidade-Luz foi ocupada pelas tropas hitlerianas, estavam reunidos vários oficias da Wehrmacht.

Alemães em Paris

Tendo entrado no café um jovem francês com ar bonacheirão, os oficiais alemães decidiram dar-lhe conversa, convidando-o a sentar-se à sua mesa. Gerou-se uma troca amistosa de palavras, acompanhada por largas goladas de cerveja.
A certo ponto, quando iam já na sexta rodada, o francês, de língua cada vez mais solta, disse aos alemães:
– Saibam que eu sou capaz de trabalhar dois anos seguidos para vós. E sem descanso,… sem descanso!
Os alemães gostaram da manifestação de voluntarismo, e um dos oficiais, para fazer render a conversa, perguntou ao impertinente francês:
– E para os outros, não eras capaz de trabalhar com o mesmo afinco?
– Para os americanos?… Ou para os Ingleses?… Nem pensar. Não trabalharia um só dia… nem uma só hora sequer. É gente que não merece os meus serviços.
Os oficiais alemães, contentes, soltaram grandes risadas e mandaram vir mais uma rodada de canecas.
Por fim um deles perguntou ao francês:
– Olha lá,… qual é o teu ofício?
O francês bebeu um trago, e respondeu calmamente.
– Sou coveiro.
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(por Paulo Leitão Batista)

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