As lições da Randstad

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A impossibilidade de a Randstad se instalar no Sabugal por não haver candidatos em número suficiente é uma situação que deve merecer uma análise mais profunda.

Centro de Formação Profissional do IEFP - Ramiro Matos - Capeia Arraiana

Centro de Formação Profissional do IEFP

Começa a ser notório que, um pouco por todo o Interior, as intenções de investimento esbarram com a insuficiência de mão-de-obra, qualificada ou não.
Na verdade, os Municípios, corretamente, têm lutado para aumentar os níveis de atratividade dos Concelhos, criando Áreas de Localização Empresarial e Gabinetes de Apoio ao Investidor, a que se associam políticas ativas de atração de novos investidores.
Esta competição entre Municípios, centrada no investidor, não foi acompanhada por políticas ativas de atração de trabalhadores, o que, associado à continuada diminuição de população, nomeadamente na chamada idade ativa, conduziu á situação atual de haver investidores que «fogem» de um Concelho/Região interior por não encontrarem massa trabalhadora para o desenvolvimento da sua atividade.
Claro que inverter esta situação é urgente, mas de grande dificuldade.

No meu entender, entendo que a criação de um mercado de trabalho adequada à oferta induzida por novos investidores, ou ampliação das empresas já existentes, deve assentar em dois pilares:

1 – Medidas ativas de captação e fixação de pessoas em idade ativa
Falo naturalmente do aprofundamento de medidas que já vêm sendo tomadas, nomeadamente pelo Município e algumas Freguesias, de criar um conjunto de benefícios quer a nível financeiro, quer fiscal.
E quando falo em aprofundamento falo, por exemplo:
– Na criação de uma bolsa municipal de habitações com preço de arrendamento acessível, associada à criação de um subsídio de arrendamento a conceder ao trabalhador que se queira fixar no Concelho e não tenha acesso a casa municipal;
– No apoio à procura de emprego local do/da cônjuge
– No apoio à mudança, quer em termos logísticos, quer em termos de percurso escolar dos filhos, se existirem;
– Na criação, em parceria com o Agrupamento de Escolas do Sabugal e o IEFP, de um Centro Qualifica permitindo a interligação entre educação, formação profissional, qualificação e emprego, numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida.

2 – Centro de Formação Profissional
Mas sendo importantes, estas medidas nunca serão as suficientes para atrair/fixar novos trabalhadores no Concelho.
A aposta deve ir mais longe e passar por criação de uma oferta formativa de nível 4, o que passa por, em parceria com o IEFP e o Agrupamento de Escolas, criar um Centro de Formação Profissional que de nível 4 que qualifique os seus alunos no ensino secundário obtido por percursos de dupla certificação ou ensino secundário vocacionado para o prosseguimento de estudos a nível superior acrescido de estágio profissional.
A criação deste Centro de Formação com uma abrangência que, claramente, ultrapassa as fronteiras do Concelho, tornar-se-ia o alfobre dos trabalhadores qualificados que as empresas existentes e novos investidores necessitam.

Não quero dizer que estas propostas são a solução definitiva para o problema. Mas ficarmos na lamúria permanente, essa é que seria uma atitude suicida!

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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