Reocupar o centro da cidade do Sabugal

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Motivado pelo excelente comentário de Silvestre Rito ao meu texto da semana passada, venho a um tema que me é muito caro, o do relativo despovoamento do centro da cidade do Sabugal.

Centro Histórico da Cidade do Sabugal - Ramiro Matos - Capeia Arraiana

Centro Histórico da Cidade do Sabugal

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Mas permito-me uma nota pessoal. Faz este mês 10 anos (!) que iniciei estas minhas curtas colaborações no Capeia Arraiana, o que faz de mim o companheiro mais antigo em exercício desta maravilhosa aventura do Paulo e do Zé Carlos. Obrigado a ambos por continuarem a achar que ainda posso ser útil ao nosso Concelho do Sabugal.
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Voltando ao tema…
Dizia Silvestre Rito, e cito: «Considero ainda que embora esta reabilitação possa melhorar a imagem do centro urbano do Sabugal, não resolve os seus verdadeiros problemas não só da sede do concelho como do concelho todo em si. Este verão-Agosto fiquei bastante decepcionado, em visitas ao Sabugal, e, curiosamente, refiro-me concretamente á zona de intervenção proposta.
Efectivamente, verifiquei com surpresa que ao contrário da azáfama e corropio de gente, que há anos atrás verificávamos nessa zona, sobretudo no mês de visita dos emigrantes, hoje e na mesma altura não vemos quase ninguém a não ser quem vai ao banco, ao notário, conservatória, finanças, mas mesmo neste particular muita gente já não vai porque resolve pela Net.»

Vamos por partes:

1. A questão dos emigrantes
Penso que a questão dos emigrantes tem de ser vista também na alteração profunda que as nossas aldeias registaram nas últimas décadas. Hoje há cafés, restaurantes, comércio, um pouco por todo o lado, o que naturalmente retira a necessidade de ir ao Sabugal comprar de tudo. Ao mesmo tempo as superfícies comerciais de média dimensão que abriram fora do núcleo central da cidade levam a que muitos emigrantes, e não só, se abasteçam nessas superfícies sem necessidade de ir ao comércio tradicional, aliás, quase inexistente.

2. A questão dos visitantes
Não duvido que muitos dos que nos visitam querem, sobretudo, ver o castelo e, talvez, parte do casco histórico e o museu.
Não param no Largo da Fonte, pois este é hoje um espaço sem nada que atraia. Nada há a ver ou a chamar a atenção na rua 5 de Outubro e, quando muito, o Largo da República com os edifícios camarários e a casa dos Britos.
Por isso não concordo com o Silvestre Rito quanto à capacidade de atração de mais visitantes se o Largo estivesse requalificado, se se requalificassem os quintais que identifiquei e os ocupássemos com motivos de atração suficientemente apelativos.
Mas tal nunca chegará, e também por aqui passam as propostas dos candidatos à Câmara e constantes dos programas eleitorais que, espero, venham a ser conhecidos por todos os eleitores, antes das eleições…

3. A questão do desenvolvimento
E coloco esta questão porque defendo há muito que a cidade do Sabugal, devendo ser um dos motores principais do desenvolvimento do Concelho, verá a sua reanimação/reocupação muito dependentes das dinâmicas de desenvolvimento que venham a registar-se.
E pensar que será possível chamar mais gente para viver e reanimar o comércio tradicional ao núcleo central da cidade, sem que o Concelho inverta a situação a que se chegou, é colocar o problema ao contrário.
A cidade do Sabugal pode e deve tomar a dianteira na senda do progresso, mas o seu próprio desenvolvimento depende de qual a alternativa à situação atual.
Mais gente, mais atividade económica são fruto de mais desenvolvimento e não o contrário.
E volto aos candidatos e aos programas eleitorais.
É que no dia 1 de Outubro é, sobretudo, isto que vai estar em jogo: Querer ou não querer mudar o Concelho, tornando-o mais dinâmico, mais competitivo, mais inovador.
E, custe a quem custar, este é o projeto do Toni e da sua equipa.

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ps. Depois de ter sido distinguido com o Prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, no Festival de Cannes e do Prémio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Munique, o filme «A Fábrica de Nada» realizado por Pedro Pinho e produzido pela TERRATREME, produtora do meu filho, João, recebeu o Prémio de Melhor Realização na quinta edição do Duhok International Film Festival, no Iraque, e o Grande Prémio do Júri no CineFest Miskolc Internacional Film Festival na Hungria.
Hoje dia 21, o filme estreia em Portugal, em Lisboa: Cinema Ideal, Cinema Nimas, Cinema UCI El Corte Inglés; Porto: Campo Alegre, Arrábida Shopping; Coimbra: Coimbra Alma Shopping; Leiria: Leiria Cinema City; e Setúbal: Cinema Charlot.
Mais um momento de vaidade…

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

Retribuímos ao Ramiro Matos os agradecimentos, assinalando a sua continuada e empenhada colaboração com o Capeia Arraiana. É de facto notável manter a publicação semanal de um artigo de opinião durante 10 anos, ininterruptamente, analisando a vida do concelho, apresentando ideias e soluções para os seus problemas, sempre na perspectiva de servir a nossa terra.
Paulo Leitão Batista e José Carlos Lages.

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