Resultados do apoio ao empreendedorismo

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

O programa de incentivo ao empreendedorismo promovido pela Câmara Municipal do Sabugal revelou-se estéril em termos de resultados. Nesta matéria, como noutras, é preciso fazer melhor.

Em Lisboa foram apresentados muitos planos de negócio para o Sabugal

O Município do Sabugal, com o pretexto de fomentar o empreendedorismo, nomeadamente entre os jovens, lançou o «Programa Empreendedorismo Estratégico e Desenvolvimento Local», no âmbito do qual celebrou um contrato de prestação de serviços com o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), de Lisboa, com ajuste directo no valor de 55 mil euros (68 mil, se contabilizarmos o IVA que a autarquia pagou).
O protocolado desenvolveu-se no primeiro semestre de 2015 com a vinda ao Sabugal de professores do ISCSP, que aqui ministraram aulas, e culminou com uma sessão em Lisboa, onde cada formando apresentou um «plano de negócio».
Face à opção por essa contratação de serviços questiona-se:
1. Por que razão que fez o contrato com uma instituição de ensino superior de Lisboa, quando o Interior tem universidades qualificadas?
2. Porquê recorrer a uma faculdade de «Ciências Sociais e Políticas», quando, para o tipo de projecto, seria indicado procurar faculdades de «Economia» ou de «Gestão»?
3. Quais os resultados palpáveis desse programa com impacto no Sabugal? Quantos «planos de negócio» foram implementados, qual o montante investido, quantos postos de trabalho foram criados?

Sabemos que não há respostas plausíveis para as duas primeiras questões, pois o contrato foi ditado por razões de companheirismo político.
Contudo parece haver resposta clara para a última das perguntas: nenhum dos planos de negócio elaborados pelos formandos terá entrado em prática e não foi, consequentemente, criado qualquer posto de trabalho. Assim se gorou o objectivo declarado do programa: «reter pessoas no concelho, aumentar a empregabilidade e criar negócios através dos recursos endógenos».
A isto se chama um programa estéril, a exemplo de outros, que vêm sendo a razão do atraso do concelho do Sabugal.
Estão aí as eleições autárquicas e há um lema de campanha muito feliz por ser apropriado para o momento que o concelho vive: «Fazer Melhor».
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

4 Responses to Resultados do apoio ao empreendedorismo

  1. Ramiro Manuel Lopes de Matos diz:

    Paulo
    Há razões que a razão desconhece, mas todos sabem…
    Era bom que se soubesse quem foram os “empreendedores” e perceber o que aconteceu.
    É que tudo aponta para uma má (pelo menos) utilização de dinheiros públicos por parte de quem gere o Município.
    Quanto ao “Fazer melhor”, isso só com outros protagonistas e outro programa. Programa que aposte na mudança e protagonistas que queiram e tenham competência e capacidade para mudar o Concelho do Sabugal

  2. Jose Escada da Costa diz:

    Nem sempre se acerta na estratégia ou no programa! O insucesso faz parte do percurso de aprendizagem! Todos nós na nossa vida profissional o sabemos porque somos anualmente avaliados! A avaliação é fundamental para corrigir, para melhor, para alterar… O que não se mede, o que não se avalia raramente serve! Alguém avaliou? Se sim, os resultados são conhecidos? Podem ser divulgados? Atendendo ao que já conheço do Sabugal temo bem que a resposta seja NÃO para as três questões!

  3. LUÍS PEREIRA diz:

    Segundo me lembro este assunto foi debatido em AM merecendo desde logo a atenção e reparo do PLB. Infelizmente poucos se manifestam contra aquilo que quase todos percebem serem golpadas. O sentimento de que o dinheiro público se pode desbaratar pois não é de ninguém e tem que se perceber que esse dinheiro é de todos e não pode ser encaminhado para os bolsos de alguns através de golpes do baú. Abraço

  4. José Antunes Fino diz:

    Já agora, era bom e salutar saber quem promoveu, quanto se gastou e quem lucrou e, caso tenha havido gestão danosa, intentar a competente e devida acção penal.

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