Reabilitar a cidade do Sabugal (2)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Continuo hoje um conjunto de crónicas, mostrando o quanto se pode fazer para reabilitar a zona central da cidade do Sabugal. Hoje debruçando-me sobre o Largo da Fonte.

Sabugal - Ramiro Matos - Capeia Arraiana

Sabugal

O Largo da Fonte é a sala de visitas da cidade do Sabugal, pelo que a mesma deveria merecer outro tipo de abordagem que não intervenções avulsas e, quase sempre, desqualificadoras deste espaço nobre.
Se olharmos para o Largo no seu conjunto, veremos que no mesmo se destacam, naturalmente, a Fonte (1), e um conjunto de edifícios a destacar: a Escola Primária (2) (construída nos anos 20 do século passado), o Palácio da Justiça (3) (projeto de Carlos Ramos, um dos grandes nomes da arquitetura portuguesa do século XX), tendo no exterior a obra «A Lei» (4) (da autoria desse grande escultor José Rodrigues), a Caixa Geral de Depósitos (5), (projeto de João Luís Carrilho da Graça, um dos nomes maiores da arquitetura moderna portuguesa) e, assim conhecido por todos, o Depósito (6), edifício privado, mas de elevada qualidade arquitetónica.
Chamo a atenção que nenhum destes edifícios tem qualquer classificação, nem nacional, nem municipal, situação que deveria ser de imediato corrigida.
Em Março já havia afirmado neste Blogue que qualquer intervenção no Largo da Fonte deveria: «Abrir o largo ao rio, deixando o edifício da Escola, o Depósito, a Fonte e a sede da CGD, intervir em alguns dos edifícios que, infelizmente, a história recente nos legou, (pois) essa seria uma forma de criar uma sala de visitas condigna de uma cidade sede de concelho.»
E, embora considere que uma intervenção no Largo da Fonte deveria ser objeto de um projeto conjunto elaborado com base em Concurso Público de Ideias, avanço hoje um pouco mais naquilo que, penso, sobre o assunto:
1) Em primeiro lugar considero que os edifícios «Oficinas da Viúva» (7) e «Casas dos Magistrados» (8) deveriam ser adquiridos pelo Município e demolidos. Ao mesmo tempo deveria ser estudada uma nova localização para o atual «Quiosque» (9). Deste modo se libertaria todo aquele espaço, permitindo o alargamento do Largo da Fonte até à Av. dos Bombeiros Voluntários.
2) Esta situação permitiria construir uma passagem pedonal superior sobre esta Avenida facilitando a ligação do Largo ao rio Côa, via rua da Devesa.
3) O encerramento da rua (10) que liga à Av. dos Bombeiros Voluntários, permitindo deste modo a extensão do Largo até ao edifício da Escola Primária, contruíndo uma escadaria/auditório de ligação deste edifício ao Largo.
4) Reordenamento da envolvente do Palácio da Justiça, ligando o jardim ao Largo, situação possibilitada com o encerramento da rua (10).
5) Requalificação do antigo «ringue» (11), amarração da passagem pedonal, onde se poderia manter uma bolsa de estacionamento.
6) Retirada de estacionamento automóvel dentro do Largo, atendendo a que já hoje existem perto do mesmo parques de estacionamento: antigo quintal do Depósito (12), antigo ringue (11), espaço a tardoz da Escola (13), para além dos lugares de estacionamento a manter na envolvente ao Palácio da Justiça.
7) Substituição do atual pavimento da Av. dos Bombeiros Voluntários por betuminoso, acompanhado pela substituição do pavimento da rua da Fonte que, esse sim, deveria ter um revestimento idêntico à da rua António José de Almeida.
8) Ligação do Largo ampliado ao «Jardim das Frasonas» intervencionado (ver crónica anterior), com relocalização da praça de táxis.
9) Ao mesmo tempo, o Município deveria «negociar» com os proprietários dos prédios mais «modernos« situados no Largo, um programa de intervenção nas fachadas que criasse um novo ambiente urbano qualificado.

Nota: Voz amiga questionou-me pessoalmente sobre a questão do custo financeiro das propostas que apresentei há oito dias. Antes que me volte a perguntar o mesmo, lembro que só para o «arremedo» de uma intervenção no eixo Largo da Fonte-Rua 5 de Outubro-Praça da República-Largo de São Tiago, a Câmara se propõe desperdiçar 2 milhões de euros!

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ps1. Aquando da apresentação a 11 de Agosto do PARU Sabugal foi indicado que já estavam comparticipados pela CCDR Centro 1,1 milhões de euros. Ora acontece que o sítio da CCDR informa que até 31 de Agosto o Sabugal tinha 0 projetos aprovados, logo 0€ de financiamento. Afinal em que ficamos?

ps2. Sai esta crónica nas vésperas do início da campanha eleitoral. Espero que a mesma decorra num são ambiente democrático. Claro que me baterei pela vitória da candidatura do Partido Socialista liderada pelo Toni. E não me peçam neutralidade…

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

4 Responses to Reabilitar a cidade do Sabugal (2)

  1. leitaobatista diz:

    Ramiro
    Manifesto concordância com o essencial destas tuas propostas. Claro que deveria haver uma discussão pública, para aferir a reacção das pessoas e para acolher outras ideias, mas concordo que, sendo o largo da Fonte a «sala de visitas» do Sabugal, esse espaço merece uma requalificação adequada, que lhe dê predicados para cumprir da melhor forma essa função.
    A realização dos festejos de S. João e outras iniciativas públicas naquele espaço exige também que o mesmo tenha uma configuração mais propícia, ganhando desafogo.
    E não me falem em projectos irrealistas e demasiado onorosos. Irrealista era o projecto Veneza da Raia, que pertendia alagar o largo da Fonte através do desvio da água do Côa… Mas desse devaneio ninguém fala e até fingem que ele nunca existiu. Não tivesse o Capeia Arraiana divulgado as fotografias onde os vereadores do poder e da oposição da altura contemplavam com deleite o projecto, agora ninguém saberia que ele tinha existido…

  2. Ramiro Manuel Lopes de Matos diz:

    caro Paulo
    Totalmente de acordo com a discussão pública. Aliás, e por isso, proponho a realização de um Concurso de Ideias que deveriam ser colocadas à discussão pública antes de selecionada uma das propostas.

  3. Silvestre Rito diz:

    Não tenho muito a opor á proposta apresentada pelo Ramiro, porque desde que as propostas sejam exequíveis, que melhorem e valorizem o património, serão em princípio de apoiar
    Apesar disso formulo uma pergunta:
    O Ramiro fez uma estimativa dos valores de investimento necessário para realizar as obras propostas para a reabilitação em causa e a forma como poderão ser custeadas?
    Digo isto porque devemos quanto a mim ter sempre presente o binómio custo/benefício, pois embora concordemos com as obras não significa que as mesmas tenham que ser feitas a qualquer preço sempre que o valor acrescentado não se justifique.
    Considero ainda que embora esta reabilitação possa melhorar a imagem do centro urbano do Sabugal, não resolve os seus verdadeiros problemas não só da sede do concelho como do concelho todo em si.
    Este verão-Agosto fiquei bastante decepcionado , em vistas ao Sabugal , e , curiosamente, refiro-me concretamente á zona de intervenção proposta.
    Efectivamente , verifiquei com surpresa que ao contrário da azáfama e corropio de gente, que há anos atrás verificávamos nessa zona, sobretudo no mês de visita dos emigrantes, hoje e na mesma altura não vemos quase ninguém a não ser quem vai ao banco, ao notário, conservatória, finanças, mas mesmo neste particular muita gente já não vai porque resolve pela Net.
    Assim julgo que se deve pensar seriamente em termos de atractividade de gente á sede do concelho porque nada existe, que eu veja, a não ser o castelo que promova essa mesma atractividade .
    Posso estar enganado, mas o que eu penso é que esta reabilitação proposta não vai resolver nada no referente á promoção do Sabugal! se estiver enganado digam-me porquê.

  4. Ramiro Manuel Lopes de Matos diz:

    Caro Silvestre Rito
    Vamos aos custos. Claro que não fiz, nem podia fazer o cálculo dos custos. Sei que, à cabeça já haveria, pelo menos, os 2 milhões que a Câmara vai gastar no arremedo de intervenção que prevê fazer.
    Mas a sua questão de fundo, a da falta de atratividade, e da falta de pessoas não se resolve só com intervenções requalificadoras. É claro que uma cidade requalificada é, de per si, um chamariz, mas não chega. pela importância do tema a ele virei num texto de maior fôlego que uma simples resposta a um comentário. .

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