Falemos de terrorismo

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Muito sucintamente, porque de outra maneira tudo se complicaria, já que este tema é de uma complexidade extrema. Comecemos então com as palavras de Zbigniew Brezinsky que foi assessor de segurança do ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter: «Eu criei o terrorismo jiadista e não me arrependo.»

Atentado terrorista nas Ramblas, em Barcelona, em Agosto de 2017 - António Emídio - Capeia Arraiana

Atentado terrorista nas Ramblas, em Barcelona, em Agosto de 2017

Tudo começou no Afeganistão em 1979, uns meses antes da invasão deste país pela União Soviética, os Estados Unidos enviaram para aí trinta mil mercenários armados,inclusivamente com misseis, para arrasarem o país, derrubar o presidente Mohamed Najibullah, e fazer do Afeganistão o Vietname da União Soviética, o que conseguiram. À sua passagem, mataram milhares de homens mulheres e crianças, e provocaram o êxodo de vinte milhões de pessoas. Ainda hoje as coisas assim continuam. Aqui começou o terrorismo jiadista, depois, espalhou-se pelo resto do Mundo.
Chegamos a 11 de Setembro de 2001, atentado em Nova Iorque, derrube das torres gémeas e centenas de mortos, A C.I.A. implicou nele o governo da Arábia Saudita, mas um politico pragmático a quem interessava a mentira negou tudo e acusou os fundamentalistas islâmicos da Al Qaeda, os Estados Unidos invadiram então o Afeganistão para encontrarem e punirem Osama Bin Laden e outros lideres da Al Qaeda, aproveitando para derrubar o regime talibã, que segundo os Estados Unidos, deu apoio a Bin Laden.
Depois vem a invasão do Iraque, mais guerra, mais terrorismo, até que chegamos à Síria, mas antes disso, os mercenários testados no Afeganistão – jiadistas – foram enviados para a Jugoslávia com o nome de Exército de Libertação do Kosovo, depois para a Líbia com o nome – Ansar al Sharia – e depois para a Síria, onde primeiramente se chamavam rebeldes e depois tiveram mais meia dúzia de nomes diferentes! Aqui, na Síria, depois de tanta crueldade praticada por esta gente, o Ocidente começou a dizer: – Tem de ser feita alguma coisa – essa coisa fez-se, os Estados Unidos bombardearam a Síria. Também graças ao Estado Islãmico, os Estados Unidos, França, Grã Bretanha e Alemanha, têm bases militares na Síria, de onde podem controlar toda aquela região. O terrorismo também tem a ver com estratégias geopolíticas e com interesses de muitas nações. Leva muitas vezes a crer que são exércitos de reserva das grandes potências e que estas os enchem de armas.Claro, no meio disto tudo, os verdadeiramente fanáticos e que nada entendem destes jogos políticos, manipulados por outros ainda mais fanáticos, matam indiscriminadamente, com Alá na boca, o ódio e o fanatismo no coração.
O Islão não é terrorismo, e a Islamofobia é outra espécie de fanatismo.

O Qatar é um Estado repressivo que financia o terrorismo jiadista. Acontece que o Barcelona – Futebol Clube Barcelona – era até há pouco tempo um dos maiores promotores do Estado do Qatar, através da publicidade nas suas camisolas às linhas aéreas desse país. O dinheiro não tem cheiro, sendo assim tanto pode estar coberto de flores como de sangue.
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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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