Como superar o despovoamento

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Para revitalizar uma região deprimida, como é a do Sabugal, são necessárias políticas novas que apostem na valorização dos recursos endógenos e incentivem o investimento e a criação de emprego. Há exemplos que podem ser inspiradores.

Auvergne – um exemplo inspirador

Há dois anos, em Junho de 2015, o jornal Público lançou uma dúzia de ideias para Portugal, baseadas em bons exemplos de outros países que resolveram problemas similares aos nossos.
Um dos exemplos veio de Auvergne, região francesa do maciço central, que estava a perder população há duas décadas. O Conselho Regional fez do repovoamento a grande prioridade e criou uma agência de desenvolvimento vocacionada para atrair novos residentes e fazer deles agentes da dinâmica local.
A agência foi apetrechada de meios financeiros (4 milhões de euros por ano) e contratou peritos de áreas diversas, que elaboraram programas atractivos, estruturaram ofertas, formaram e monitorizaram os agentes locais. Financiou a estadia de quem quisesse conhecer a dinâmica regional, ofereceu estudos de mercado para verificar a viabilidade de certos negócios, garantiu acompanhamento jurídico e técnico e ajudou na obtenção de financiamento.
Um dos primeiros passos foi o recurso ao marketing territorial através de um site que se tornou na vitrine da região, apontando caminhos e soluções – aqui.
Auvergne assinou acordos com duas universidades romenas para receber estagiários, nomeadamente médicos que optaram depois por ficar, e todos os anos vai a uma feira de migração em Utreque para atrair holandeses que sonham com casas antigas e isoladas.
Os resultados estão à vista. Auvergne está a acolher 17 mil novos residentes por ano, repovoando-se e revitalizando a sua economia.
O exemplo do Público quase não teve repercussão em Portugal, ainda que o programa «Novos Povoadores» pareça inspirar-se nessa experiência.
Os problemas persistem, e falta encontrar soluções para a gravidade da falta de gente nas nossas terras do interior.

Claro que um município como o do Sabugal não pode, sozinho, desenvolver um programa de repovoamento com resultados satisfatórios, como o de Auvergne. É preciso estabelecer parcerias com outros municípios, para criar economias de escala e procurar financiamentos suplementares aos orçamentos municipais.
Numa palavra, depois de tanto debate, tantos exemplos e até de uma estrutura de missão criada pelo Governo para ajudar a desenvolver o interior, temos de reconhecer que ainda está tudo por fazer.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

2 Responses to Como superar o despovoamento

  1. Muito bom artigo. Para os autarcas pensarem.

  2. António Emídio diz:

    Amigo Leitão :

    Sabes para que servem muitos dos homens que nos governaram até agora ? Para mandar bocas ! Ouviste as últimas do Cavaco silva ? Um homem que esteve mais de 25 anos com o poder nas mãos!!! Esta é a herança que nos foi deixada por séculos de história e, como me disse um Homem, já falecido, mas que teve grande influência na política do País, no velho cinema do « Ti Pires » em 1974, quando os estadistas ainda vinham ao Sabugal ? – Sabes uma coisa meu jovem ? ( falando para mim, tinha eu 20 anos ) são precisas pelo menos duas gerações para a democracia ser assimilada – ainda só vai na minha…E outra coisa, o poder das Autarquias em Portugal nada tem a ver com as da França, Inglaterra ou Dinamarca, como exemplo.

    António Emídio

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