D. Afonso V, Rei de Portugal

José Jorge Cameira - Vale de Lobo e Moita - © Capeia Arraiana

Vou descrever alguns factos históricos verídicos sobre o nosso rei D. João V, sem colocar datas com muito rigor. Passou-se tudo desde o ano 1450.

D. Afonso V

Por essas alturas os Turcos Otomanos tomaram de assalto a cidade Cristã de Bizâncio e mudaram-lhe o nome para Istambul, como se chama hoje.
O Papa de então, alarmado pela infâmia, faz um apelo a todos os reis da Europa para uma Cruzada a fim de reconquistar a cidade.
D. Afonso V, homem culto e sabedor, prepara de imediato um exército para se juntar aos outros e ir a caminho de Istambul.
Mas ficou sozinho. Ninguém mais quis alinhar nessa Cruzada, pois o Papa da proposta morreu.
O Rei pensou:
– Que faço eu afinal com este exército?
Olhando para África aqui perto, com gente infiel e não cristã, decidiu partir em barcos, conquistando todas as grandes cidades do actual Marrocos: Tanger, Melilla, etc.
Por isso ficou na História como o “Africano”.
Acabada essa epopeia, o Rei entrou num marasmo, e só saiu dele quando lhe apareceu a oportunidade de se tornar também rei de Castela, por uma razão ligada à irmã que era rainha naquele reino vizinho.
Mas precisava de apoio.
Lembrou-se de pedir apoio ao rei de França, Louis XI.
Cozinhou esta ideia: isto de mandar-lhe cartas não resulta muito. Vou lá a França e cara a cara peço-lhe apoio para também ser rei de Castela, só rei de Portugal e dos Algarves era pouco.
Arranjou um barco e com uma pequena guarnição e criadagem parte de Lisboa em direcção a Marselha.
Foi a primeira vez que um nosso rei saiu do território nacional!
Em Marselha recebe um recado de Louis XI para ir ter com ele a Paris. Não se quis maçar a viajar para longe do conforto real de Paris…
D. Afonso V viaja então para o norte de França, mas demora um tempão a chegar.
Para em todas as cidades, visita as bibliotecas e museus, onde os há, e os Municípios recebem-no em festa, entregam-lhe as chaves da cidade, etc.
Em Paris o rei Louis XI diz-lhe:
– Posso ajudar-te mas peço-te que fales com um conde que é teu primo direito e que anda a incomodar-me muito, não se submete ao meu poder real.
D. Afonso consegue acalmar o seu primo, o conde rebelde, mas Louis XI rejeita a ajuda que o nosso D. Afonso V pedia e o fez viajar para tão longe.
Nos meios literários franceses de então o nosso rei era alvo de risadas e chacota.
Desgostoso, o nosso monarca retira-se e esconde-se numa povoação piscatória, mesmo no norte de França. Passa os dias em meditação olhando as águas do canal da Mancha.
Toma uma decisão.
Vai viajar para a Palestina combater os árabes que se apoderaram do túmulo de Cristo.
Escreve cartas de despedida e agradecimento a quem o recebeu bem na França.
Uma das cartas é ao seu filho D. João, abdicando nele o trono, tornando-o o rei D. João II de Portugal.
O rei Louis XI de França ao ler a sua carta de despedida enviada por seu primo D. Afonso V, entra em pânico e julgando ser o responsável por tal decisão, vai de imediato encontrar-se com o rei português.
Não se sabe que argumentos foram invocados, o que é certo é que D. Afonso V desiste das ideias que tinha e regressa a Portugal pelo norte.
A umas horas da chegada de D. Afonso V, o filho, D. João II, passeava-se pelas praias de Cascais e é informado que o pai estava a chegar de barco.
D. João II fica sem saber o que fazer e pergunta a um amigo que ia ao seu lado:
– Que faço, não me dizeis?
– Recebei o vosso pai e nosso rei D. Afonso V!
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«Vale de Lobo e Moita», crónica de José Jorge Cameira

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