As festas de Verão

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Uma pintura e um poema de Alcínio, com inspiração neste verão escaldante em que a aldeia fica prenhe de gente e de euforia, mas que não são mais do que a ilusão de uma gravidez que afinal está vazia e acaba em frustração.

Pintura de Alcínio

São trovoadas secas de verão
Ruidosas com raios coriscos muito promissoras
Ameaça de águas diluvianas que revigorem a
Parca e decrépita população sedentária e ressequida.
Porém não passam duma ilusória expectativa
São amores de verão com beijos e abraços de ocasião
Que morrem em desilusão após a ocasião .
São decibéis de foguetes de bandas ruidosas
música, melodia, mensagem, som vão
Perdem-se no vazio do nada sem tocar o coração
Encontros que traz o Verão
Sonhos que ficaram na vida sem solução
Grandes medas de centeio com muita palha e pouco grão
Entram numa porta e saem pela outra de roldão
São como falsa gravidez deixando vazio e frustração.
Fantasias que se perderam no vazio da ilusão
Furiosas como furacão
São a frescura duma bebida de verão
Mata a sede na ocasião
São encontros com o passado mera ficção
À procura da alma quando se perdeu o coração
São como cicatriz que dói sem razão
Um amor atraiçoado como uma maldição
Só as circunstâncias da vida têm a explicação.

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«Vivências a cor», de Alcínio

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