A agonia do general

O general Navaez estava deitado no catre sofrendo os transes da agonia. Tinha um carácter sanguinário, e tornara-se odioso pelos fuzilamentos em massa que por sua ordem foram praticados em Espanha no reinado de Isabel II.

O general espanhol Ramón María Narváez

O arcebispo de Granada prestava-lhe assistência sentado à sua cabeceira, procurando santificar a sua irremediável agonia:
– Pense nos seus inimigos – disse-lhe o prelado. Perdoe-lhes para que Deus igualmente lhe perdoe!
– Não os tenho – respondeu o agonizante.
– Mas, Excelência, quando se ocupa uma posição como a sua…
– Digo-lhe que os não tenho!
– Mas quem sabe?… Tente lembrar-se de algum…
– Não os tenho.
– Mas Excelência, isso será impossível.
Então o moribundo, impacientado, e num esforço supremo, soergueu-se no leito e disse de viva voz para o bispo:
– Não os tenho, já lhe disse… Mandei-os fuzilar a todos!
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(por Paulo Leitão Batista)

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