Notas soltas de Verão (2)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Agora que é mês de Agosto e que não posso estar no Sabugal, é altura de aligeirar estas minhas crónicas…

Big Ben de Londres - Ramiro Matos - Capeia Arraiana

Big Ben de Londres

1 – A «verdadeira» história do milagre das rosas
Indo a rainha D. Isabel, levando no seu regaço o pão que, piedosamente, e contra as ordens do seu Senhor, El-Rei D. Dinis, distribuía pelos mais pobres, é avisada por um dos seus serviçais, quiçá o mais próximo e querido de D. Isabel, de que o rei se aproximava.
Temerosa do que seu real marido diria quando visse o pão, exclamou – «que fazer?» – …e logo o serviçal lhe disse em voz baixa e melíflua: «Talvez se arranjem umas rosas, senhora minha rainha.»
D. Isabel, na sua aflição aceitou a oferta, mas logo o serviçal adiantou: «Mas são 100 torqueses.» (torquês era a moeda existente.)
Sem outro remédio senão pagar, lá desembolsou a pobre rainha, as moedas e lá se trocou o pão pelas rosas, sendo assim possível o célebre milagre das rosas…
Moral da história: Ser serviçal dedicado e próximo, não significa ser parvo…

2 – As eleições em Angola
Escrevo antes do dia de eleições em Angola, pelo que não sei o resultado das mesmas.
Angola é um país independente, ao qual nos ligam centenas de anos de vivência comum, e onde hoje trabalham dezenas de milhar de portugueses e desenvolvem a sua atividade milhares de empresas portuguesas.
São, assim, umas eleições que nos interessam, mas nas quais não podemos, nem devemos, intervir.
É que leio e ouço muitos “comentadores encartados” falar sobre estas eleições como se tivéssemos, ainda, qualquer papel a desempenhar nos destinos daquele país.
Sou, e sempre serei, defensor da soberania dos países e contra qualquer tipo de intervenção externa sobre os mesmos.
O povo angolano é tão sábio e tão capaz de decidir sobre o seu futuro como o povo português.
E aos portugueses, e ao governo português só cabe respeitar a decisão tomada nas urnas.

3 – Se o Big Ben fosse português…
O Big Ben deixou de dar horas e vai assim ficar nos próximos 4 anos!
Se este relógio não fosse inglês, mas estivesse localizado em Lisboa (pronto, sr Rui Moreira, também podia ser no Porto…), estou mesmo a imaginar as reações:
«Isto demonstra que a geringonça não funciona. E agora até nem querem que o povo saiba as horas. Eu bem avisei. Está a chegar o diabo!…», diria Passos Coelho.
«Isto é uma vergonha. Exigimos a demissão do ministro do tempo imediatamente», diria Assunção Cristas.
«Embora apoiemos este governo do PS, não podemos deixar de criticar esta situação, pois os trabalhadores, com o seu baixo salário, não têm dinheiro para comprar relógios de pulso… o governo deve diminuir o tempo de manutenção do Big Ben para, no máximo dois anos», diria Jerónimo de Sousa.
E para não ficar atrás, Catarina Martins, viria lembrar que «se não fosse a nossa ação, o Big Ben ficaria sem dar horas, não 4 mas 6 anos».
Por certo o sindicato dos padres, sacristãos e beatas apelaria a uma ação de solidariedade, apresentando um pré-aviso de greve para que todos os relógios das torres das igrejas de Portugal deixassem de dar horas.
E o Ministério Público abriria de imediato um inquérito por suspeitas de corrupção do governo por parte dos fabricantes de relógios de pulso.
Mas sendo em Inglaterra, não percebo o silêncio dos «comentadores de bancada» televisivos. Então não se está mesmo a ver que isto é uma consequência do brexit?

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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