Notas soltas de Verão (1)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Agora que é mês de Agosto e que não posso estar no Sabugal, é altura de aligeirar estas minhas crónicas…

As candidaturas independentes nas eleições autárquicas... - Ramiro Matos - Capeia Arraiana

As candidaturas independentes nas eleições autárquicas…

1 – A desigualdade eleitoral
Estou envolvido numa candidatura independente à Assembleia de Freguesia da União de Freguesias Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, freguesias onde resido.
E esta experiência mostrou-me como o sistema partidário acaba por limitar de forma significativa o aparecimento de candidaturas independentes. Eis dois exemplos:
Para que uma lista independente se possa candidatar, tem de obter assinaturas de 3% do eleitorado, isto é, no meu caso, 997 eleitores. Ora para conseguir todas estas assinaturas é preciso tempo, tendo de se começar muito cedo, numa altura em que muitos partidos nem sequer têm definido o seu candidato a presidente. Mas, pasme-se, a recolha de assinaturas deve revelar, desde o início, a lista completa dos candidatos!
A segunda questão prende-se com o orçamento da candidatura. Segundo a lei, a despesa não pode ultrapassar 113,60 euros a multiplicar pelo número de candidatos. Ou seja, no meu caso, 113,60×38 = 4.316,80 euros. Isto é, uma candidatura independente, naturalmente menos conhecida do eleitorado que uma partidária, tem, para um universo de 33.210 eleitores, 4.300 euros, cerca de 13 cêntimos por eleitor!
Agora veja-se que deste total, cerca de 4% vão logo para publicação em jornal diário do nome do mandatário financeiro e para obter o número de contribuinte da candidatura!
Claro que esta é também a forma de cálculo para os partidos, mas existe um campo imenso de integrar despesas em outras atividades que não entram para o orçamento, mas são, na prática despesas eleitorais.
E para além disto tudo, se a candidatura independente for apenas a um órgão autárquico não tem direito a qualquer subvenção, pelo que terá de angariar entre os seus apoiantes o dinheiro necessário.

2 – Aluguer de scooters elétricas
Nestas minhas idas diárias ao hospital tenho tido, felizmente, a companhia do meu filho que veio do Brasil para me acompanhar. E não é que aparece quase sempre numa scooter elétrica que aluga na rua, sem mais nada precisar que o telemóvel?! A 22 cêntimos o minuto, como demora 10 minutos a chegar são 4,40 euros, ida e volta. Sem custos de combustível, sem parquímetros, sem seguros, um transporte ecológico, fácil e barato.
Vê no telemóvel onde está a mais próxima, ativa-a pelo telemóvel e deixa-a no sítio para onde vai, para quem a queira alugar de seguida. Eis um grande serviço disponível, pelo menos, na cidade de Lisboa.

3 – Êxitos internacionais
Por falar no meu filho João, a afirmação internacional da sua produtora TERRATREME continua em grande.
Agora foi no prestigiado festival de Locarno, Suiça, com três filmes na programação, todos premiados:
«António & Catarina», de Cristina Hanes, com o galardão Pardino d’Oro para a melhor curta-metragem; «Milla», de Valérie Massadian, Prémio Especial ciné+ para melhor diretor atribuído pelo júri e prémio Euroimages Audentia Award para a melhor realizadora; e «Era uma vez Brasília», de Adirley Queirós, menção honrosa na secção Signs of Life Award.

4 – «Leve», a minha cantina diária
Não sei se alguma vez já aqui falei deste restaurante, onde janto quase todos os dias, por ficar a menos de um minuto a pé da minha casa.
Bom e barato para quem quer levar comida para casa (5,60 euros a dose); comida caseira bem feita; um serviço atencioso, familiar e afetuoso, que faz a minha mulher e eu sentirmo-nos bem; estas as bases de um restaurante onde após uma ou duas visitas nos sentimos em casa.
À Olinda e ao Pedro, os donos; ao Cris, cozinheiro; ao Tiago, Teresa e Luísa, empregados, o meu público agradecimento pela forma como nos atendem.

5 – Cristo ou Cristiano?
Será verdade que houve engano e que o «filho de deus» não nasceu há 2.000 anos, nem se chama Cristo? É que da forma como o endeusam, mais parece que isto só aconteceu há 31 anos e, afinal, não se chama Cristo mas Cristiano… E, pelos vistos, a mãe também não se chamava Maria, mas sim Dolores… Haja tento!

:: ::
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

Deixar uma resposta