Turista de pé-descalço

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Este tipo de turista – «pé-descalço» – não interessa a ninguém, além de só deixar lixo e fazer barulho, não traz lucro nenhum, é gente que não compra nada, nem postais ilustrados! Mijam nas vetustas paredes dos monumentos históricos, bebem mais água nos chafarizes públicos do que vinho nas tascas, e outras coisas no género.

Turistas «pé-descalço» - António Emídio - Capeia Arraiana

Turistas «pé-descalço»

Dizem os entendidos, que eu disso não entendo, que muito turismo significa progresso social, grande nível de vida e deixa dinheiro, terão razão, mas esse é o turismo dos ricos! Agora, meu querido amigo, vou dar-lhe exemplos do que significa para a economia de Portugal, o turismo pobre e o turismo rico.
Quando vou até à minha Lisboa e passo pela Baixa, mal posso caminhar, tal é a quantidade de turistas «turistas de pé-descalço», cheiram mal que tresandam! Dormem em sofás de casas nada recomendáveis, ou então em pensões de quinta categoria (aqui para nós, chamam-se pensões, mas são sítios onde umas senhoras que andam pelas esquinas das ruas e avenidas vão dar as suas Piiii com os clientes) cheias de chatos, piolhos e toda uma fauna possível e imaginária, já não é a primeira vez que o turistas abre a cama para se deitar, e encontra entre os lençóis um preservativo usado, ou um penso higiénico!… E o que come esta gente? São de pouco alimento, uma sandes, um rissol,um hambúrguer e uma cervejita, depois, passam o dia sentados no chão a fumar uma coisa de côr castanha que andam indianos, e também portugueses a vender nas ruas à sorrelfa. À noite, com a barriga meia de cerveja, e a cabeça cheia de droga, não têm sono, fazem um cagaçal medonho até ao amanhecer, não deixando dormir ninguém. Como vem, e depois vai, esta gente para os seus países? Uns à boleia, outros numas carrinhas todas escalavradas que em Portugal não passavam na inspecção, e outros de avião, avião? Sim, meu amigo, agora há uns aviões que por vinte euros vêm de Londres até Lisboa, mas atenção! São mais seguros os aviões das feiras onde entretêm a garotada. Gente desta é cá precisa? Claro que não! Só dão prejuízo.
Agora, meu amigo, existe na Baixa lisboeta um sítio a que eu chamo «ilha» e porquê? Porque no meio de tanto pindérico, e também pindérica, está um hotel muito luxuoso, com porteiro fardado que mais parece um general, vidros escuros nas portas e janelas, passadeira vermelha cheia de dourados e também polícia à entrada, onde estacionam de vez em quando uns autocarros que parecem aqueles do Real de Madrid e do Benfica, de onde sai gente muito bem vestida e com malas Louis Vuitton (passe a publicidade) gente extremamente simpática. São os turistas ricos! É desses que nós cá precisamos, só frequentam Sintra e os mais luxuosos e turísticos sítios da Capital.
É altura das fronteiras portuguesas começarem a separar o trigo do joio, ou seja, ao «pé-descalço» pontapé no rabo e mandá-lo para casa, aos ricos, tratá-los com toda a educação e fair play.
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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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