A prática do beijo

Lendo atentamente o Génesis, concluiremos que o beijo advém de eras remotas, e o primeiro que a história regista foi o de Isaac a seu filho Jacob.

Jacob recebe a benção de Isaac – pintura de Jusepe de Ribera

Na Bíblia encontra-se grande diversidade de beijos. Há o de homenagem a Ester; o de sujeição a Samuel; o da aprovação dos Salmos; o da gratidão a Lucas; o das boas-vindas no Êxodo; o do amor e regozijo no Génesis; o de pesar nos Actos; o da paz nos romanos; o da reverência idólatra em Oseas; o do hipócrita em Samuel; o do traidor, como o de Judas a Cristo e o de Jacob a Amasa.
Antigamente era costume beijar a boca e a barba, o que ainda hoje praticam os árabes – beijar o pé era uma expressão de humildade.
Em algumas nações era uso lançar beijos ao sol e à lua, assim como às imagens dos deuses, por ser proibido profaná-los com os lábios.
Beijar a mão é costume oriundo dos persas. Segundo Xenofonte, era essa a maior honra que se fazia na Pérsia a qualquer pessoa.
No judaísmo, os rabinos não permitiam mais do que três espécies de beijos: o da reverência, o da recepção e o da despedida.
O beijo no pé dos pontífices foi muito usado na Igreja Católica e começou no século VIII com o beijo do imperador Justiniano ao papa Constantino, na entrada do citado imperador em Constantinopla.
Já os protestantes nunca foram grandes adeptos do beijo e em actos cerimoniais preferem uma simples inclinação da cabeça.
Hoje o beijo é sobretudo entendido como acto de saudação ordinária, perdendo o carácter de sinal de respeito que teve noutros tempos.
Durante muito tempo o beijo de amor no cinema, no teatro, ou mesma na via pública, foi considerado um sinal de pouca vergonha.
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(por Paulo Leitão Batista)

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