No Mercado

Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Vai um dia um quadrazenho ao mercado do Sabugal e dirige-se a um vendedor de calçado, já que necessitava de umas botas.

Mercado antigo

O vendedor tinha numa prateleira diversas botas alinhadas por número de tamanho.
– Quanto custam estas botas? – Pergunta o quadrazenho referindo-se às primeiras.
Responde-lhe o vendedor:
– Duzentos escudos, freguês.
– E aquelas? Referindo-se às últimas na fila da prateleira.
– Aquelas são ao mesmo preço.
– Então quero as últimas, que são maiores.
Não interessava o número que calçava. Se eram maiores, deveriam ser mais caras, porque gastavam mais material. Se eram do mesmo preço, as maiores saiam mais baratas. Com este raciocínio, lá levou o quadrazenho as maiores, Se lhe ficavam grandes, que importava? Metia-lhes uns papéis à frente, ou talvez que os pés ainda crescessem!

A esse mesmo mercado ou, mais provavelmente à feira de S. Pedro, vai um dia o casal Tonho Manel Fã e mulher fazer as compras habituais. A fruta era um dos produtos que se traziam do mercado. Aí adquiriram peras e pêssegos. Sente o Tonho Manel a barriga a dar horas e vá de deitar a mão a um pêssego, que se preparava já para trincar, quando é interpelado pela mulher nestes termos:
– É Tonho Manel, come a perinha e deix’ó pexêgo!
Não sei se o Tonho Manel seguiu o conselho da patroa ou o se o seu instinto.

Notas:
Patroa
– esposa.
Pexêgo – pêssego.

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«Lembrando o que é nosso», por Franklim Costa Braga

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