Dados sociais e económicos do Sabugal

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

Actualização dos retratos de dados sociais e económicos do Sabugal. A alteração dos indicadores sociais, demográficos e económicos referentes ao nosso concelho podem dar uma leitura real do panorama onde vivemos. Neste período de pré-campanha em que nos movemos vale a pena refletir, analisar e agir de verdade num concelho real. Sem demagogias. Sem ilusões. Pois é de pessoas que se trata! (actualização.)

Castelo do Sabugal - Capeia Arraiana

Castelo do Sabugal

Segundo o estudo recentemente publicado pelo Gabinete de Estratégia de Estudos do Ministério da Economia procede-se à publicação desta análise sintética e comparativa de indicadores que mais sobressaem referentes ao concelho do Sabugal.

1 – Maiores empregadores do concelho do Sabugal
Os maiores empregadores no concelho do Sabugal continuam a ser as atividades de apoio social para pessoas idosas, com alojamento, ocupando o primeiro posto e as Atividades de apoio social para pessoas idosas, sem alojamento, em segundo lugar. A construção de edifícios, perdendo ao longo da última década um maior destaque, ocupa neste momento o terceiro posto dos maiores empregadores.
Outra atividade que se encontra a perder vitalidade é a do vestuário, pese ainda se manter como o quarto maior empregador no concelho. As indústrias do leite e derivados, bem como os transportes rodoviários de mercadorias e as atividades de proteção civil, assumem uma vitalidade constante, ocupando nestes últimos anos a 5.ª, a 6.ª e a 7.ª posições dos maiores empregadores, respetivamente. Os transportes terrestres de passageiros representam a maior subida neste ranking. Pela perda de preponderância de outros empregadores ou pelo aumento da capacidade de empregabilidade, este sector foi o que mais tem subido nestes últimos anos, ocupando neste momento o 8.º posto.
No lado oposto, o Ensino básico (3.º ciclo) e secundário geral, é o que mais desceu na tabela dos maiores empregadores. Pelos últimos dados oficiais (relativos a 2015) encontra-se como o 10.º maior empregador, sendo que ainda em 2012 era o 6.º maior empregador do concelho do Sabugal. Não são alheios a esta situação a acentuada diminuição demográfica, um dos maiores índices de envelhecimento populacional do país, aliados a uma das maiores taxas negativas do país de crescimento populacional.
As atividades de supermercados e hipermercados e o comércio por grosso de materiais de construção e material sanitário ainda se afirmam na lista dos maiores empregadores. Menção para o facto de nestes dados mais recentes a silvicultura e outras atividades florestais surgirem já dentro dos 15 maiores empregadores do concelho. A importância desta área é nítida e poderá indiciar uma janela de oportunidade de desenvolvimento económico e social para os próximos anos.

2 – Sectores de actividade
Outro dado de interesse a analisar será o número de trabalhadores por conta de outrem, por sector de atividade. Depois de um crescente aumento, na percentagem global da empregabilidade no sector primário, é notório um arrefecimento e até mesmo um decréscimo dessa mesma empregabilidade, situando-se abaixo dos 5 por cento do total da empregabilidade do concelho. O mesmo sucede no sector secundário, da transformação, que tem vindo a decair drasticamente. Em menos de vinte anos, o seu peso global de empregabilidade no concelho do Sabugal decaiu para metade, representando neste momento pouco mais de 20 por cento do total da empregabilidade no concelho. Em situação inversa encontramos o sector terciário que já ocupa neste momento perto de dois terços de toda a população empregada. É de relembrar que a este sector pertencem as áreas do comércio de mercadoria, a administração pública, os transportes, as atividades financeiras e imobiliárias, a educação, a saúde e as áreas sociais.
Poderemos no futuro vir a constatar um estrangulamento da atividade sectorial dos serviços e um desligamento a sectores na área da transformação e da agricultura. Apesar de se evidenciarem subidas significativas de atividade nestes dois últimos sectores o mesmo não sucede com a empregabilidade associada aos mesmos, o que em termos sociais é um menos valor pois o nosso bem-estar social depende, na sua quase totalidade, do ordenado recebido pelo emprego. Aqui a coesão social pode vir a falhar.

3 – Indicadores demográficos e sociais

3.1 – Benefícios sociais
Em relação aos indicadores sociais é de referir que 5 porcento da população residente é beneficiária de subsídios de desemprego ou de rendimento social de inserção, sendo que aproximadamente 50 porcento dos beneficiários de rendimento social de inserção possuem menos de 25 anos e mais de 40 porcento dos beneficiários do subsídio de desemprego encontram-se entre os 25 e os 39 anos. É de referenciar ainda a elevada percentagem do desemprego registado na população com mais de 55 anos. Mais de 1/5 da população desempregada do concelho do Sabugal encontra-se nesta faixa etária.

3.2 – População
O concelho do Sabugal continua a perder população, como vem sendo habitual. Os indicadores apontam para 11.489 residentes em 2015. Com uma taxa negativa de crescimento médio anual da população a rondar os 2 porcento é fácil intuir que no final deste ano de 2017 já seremos menos de 11.000 residentes. Claro que com este indicador todos os outros disparam. É imperativo refletir o seguinte dado: a população global com mais de 65 anos tem tendência a diminuir. Apesar de apresentarmos um dos maiores índices de população envelhecida, o peso desta tende a diminuir. Infelizmente não se deve ao aumento de jovens ou de população ativa. Aqui a questão prende-se não à quantidade mas ao peso dos grupos etários. Os mais velhos vão morrendo e não se vai procedendo à renovação populacional que deveria ocorrer. Para as políticas futuras locais é necessária uma atenção cuidada e considerando o futuro desta tendência. Daqui a uma década se nada for efetuado registaremos a uma perda grande da população mas simultaneamente uma perda do peso da faixa etária mais velha na população em geral, pelos piores motivos.

3.3 – Cultura, Desporto e Ambiente
A média de despesa do município em cultura e no desporto decresceu de 2014 para 2015, enquanto a despesa em ambiente aumentou, acompanhando inversamente a tendência nacional e da própria região das Beiras e Serra da Estrela.

3.4 – Actividades económicas
O concelho apresenta cerca de 2.000 pessoas ao serviço nas empresas, número que se encontra estagnável na última década. O pessoal ao serviço nas empresas da indústria transformadora tem vindo a decrescer, enquanto o volume global de negócios nas empresas tem mantido uma constante nos últimos anos. Contudo é de referir uma diminuição de volume de negócios nas empresas (-4,3 porcento face a 2014). As empresas de transformação apresentam, da mesma forma, uma diminuição do volume de negócios.
Fruto essencialmente da iniciativa e capacidade dos investidores particulares do nosso concelho, regista-se um leve aumento das exportações (com valores perto dos quatro milhões de euros). Contudo as importações também aumentaram (valores perto dos 11 milhões de euros, valores totais) registando estas o dobro dos valores das exportações.
O ganho médio mensal por trabalhador por conta de outrem no concelho do Sabugal é de 766 euros (75 euros menos do que nos outros concelhos da Região das Beiras e Serra da Estrela e menos e 300 euros do que a média nacional).

Fontes: INE e GEE
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«Desassossego», opinião de César Cruz

3 Responses to Dados sociais e económicos do Sabugal

  1. José Manso diz:

    Um interessante retrato que mostra a realidade do nosso concelho… A ler com atenção e meditar… no que fazer para tentar inverter esta tendência negativa…

  2. João Luis diz:

    O Sabugal exporta 4000 milhões ????

    • César Cruz diz:

      João, efetivamente seria muito bom. Mas não! Infelizmente os zeros do texto encontram-se a mais. O correto é EXPORTAÇÕES 4 milhões. IMPORTAÇÕES 11 milhões. Foi um erro, pois deveria estar 4.000 (x 10 elevado a 3) em exportações; e 11.000 (x 10 elevado a 3) em importações. No entanto a proporção mantém-se também, infelizmente, numa proporcionalidade que não acompanha a tendência nacional.

      Já agora, a Região das Beiras e Serra da Estrela exporta 508 milhões e importa 420 milhões. Como vemos, até regionalmente, encontramo-nos num paradigma comparativo demasiado negativo.

      O Sabugal importa mais do dobro do que exporta e pouco peso contribui para as exportações globais de toda a região Beiras e Serra da Estrela.

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