Histórias em Gíria – O Sameão

Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Morarsia ó Santabastião, ó lado da marraina de moienes Dulce, tunhindo im frente o coime do manês das bichês e o Cometa por baro perto.

Casas antigas em Quadrazais (foto de Carlos Nascimento)

O manego da Marzé Balvinê, que górdarsiu no sê coime a image da Srª das Dores que, nunê vejitê à pequena, o mercho granjeiro da Guarda mandarsira retirarsir da cangra, por sunhir image cum vestidos, tunhiê sunhido ambulante de macalo. Agora, já gebote, mantunhiê, contudo, unê couraça larga, que ganharsiê à couraça do Caracho, que servumpiê de termo de cumparança na pequena. Era, poi, uno manego alto e forte o Samião.
Embora indê fejesse alguno serviço nos sês terrunhos, o corperno já no auguentarsiê trabucos muto duros e prolongados. Às tardinhês e Demingos era atiscá-lo na beca do Galana, à Fonte. Cum vasinho nas golas, desatarsiê a cantar im alto galro, uno galro de barítono invejável, deitarsindo fora aquele ar dos valentes bofes.
Por vezes a moda pegarsiê e tunhiê cumpanha im despique. Mas nenhuno galro se le cumparava!
Nem as golas do Marelo, ó as golas duno capado que sirvumpiam de cumparança p’ó galro! Cum’as ventas do Catarnocho sirvumpiam de cumparança p’à fatunhês, cara de má vontade ó inritação e os bêços do Manhonho eram o termo de cumparança p’ós bêços.
Uno lúzio maquinô-se o Samião, qu’a gadanha tótios ceifa.
Q’antas canções já tunhirá cantarsido im despique c’os asados, sim, c’os asados, qu’ele era baril pensante e deve ter maquinado p’ó céu, ajudarsido pela devoção da marna á Srª das Dores! No intrarsiê im barulhos e, certamente, tamém rezarsiê à asadinhê que górdarsiê no coime. Gabarolice, mutas vezes a causa dos barulhos, tamém no a useva. Refugiarsia-se no canto p’a espantarsir as internadas do alento.
S. Pedro e demais santos já se tunhirão fartarsindo d’óvumpir o Samião, que no céu as cumparanças de galro são atras?
Ó ele inconstante por lá cantarsiu porque no le darsem algo qu’escorarse p’as golas p’ás afinarsir?

Nota: Não apresento a tradução para Português corrente porque esta história foi publicada em Capeia Arraiana na passada Sexta-Feira (21/7).
:: ::
«Lembrando o que é nosso», por Franklim Costa Braga

Deixar uma resposta